1. Colégio Marista Santa Maria, tradicional colégio de meninos durante décadas. O mesmo prédio já tinha sido sede do Colégio Sion. Em 1918, no entanto, o Sion foi forçado a fechar suas portas após a gripe espanhola atingir gravemente a comunidade de freiras (professoras) do colégio.
Lembro que assisti a um filme mudo de Charles Chaplin no Cine Santa Maria.
Raquel L. lembra das missas do Padre Emir Calluf, sempre lotadas de jovens e realizadas na Capela do Colégio Santa Maria. Eram tão cheias que muitos assistiam a celebração de pé. Um músico tocava o violão. Naqueles anos 60 era uma raridade tocar violão em missas. Mas o Padre Emir era além do seu tempo.
2. Na Rua Marechal Deodoro ficava a Casa de Tolerância da Dinorá, atrás do Colégio Santa Maria.
As moças da Dinorá deixavam os padres do colégio de cabelo em pé pois as séries mais avançados estudavam no pavimento superior e do outro lado da rua as meninas atiçavam os rapazotes, que disputavam aguerridamente os espaços nas janelas.
3. Terreno onde era a casa de Francisco Torres (filho de Mariano Torres). Após a mudança do proprietário, o terreno foi alugado para diversos fins: Tiro de Guerra, Parque de Diversões itinerantes e era também o “campinho”, onde os guris se juntavam para jogar bola. Hoje é o Teatro Guaira.
4. Edifício Marumby: O nome foi escolhido para criar uma relação entre o edifício residencial mais alto da cidade e o Pico Marumby que, na época, era considerado o ponto mais elevado do Paraná.
Originalmente, a altitude do Pico Marumby era indicada como 1.800 metros, mas foi revisada para 1.547 metros pelo geógrafo e explorador Reinhard Maack. Aliás, o neto de Reinhard Maack é um querido amigo.
Após o recálculo feito por Maack, o Pico Marumby perdeu o título de ponto mais alto do Paraná, mas o Edifício Marumby continua a carregar consigo essa histórica associação com a grandiosidade e o desafio que o pico representava.
5. Moinho de Açúcar Bittencourt: O Dr Tito S. conta que morava na Rua Tibagi e o avô na Rua Mariano Torres: “Nas minhas andanças ao Passeio Público, tinha um medão das abelhas entrando e saindo das janelas do Moinho de Açúcar Bittencourt e sempre desviava aquela parte da calçada”.
6. Edifício Tamoio: Construído pela Família Colle na década de 1940, é um marco arquitetônico que carrega consigo muitas histórias. Alguns membros da Família Colle ali moraram e o prédio também recebia inquilinos.
Em frente corria o Rio Belém a céu aberto.
Lembro que era o caminho para a casa dos meus avós. Passados mais de 55 anos, percebo que o mau cheiro do Rio Belém sentido na minha infância permanece impregnado no meu nariz.
7. Largo Bittencourt (em frente ao Círculo Militar): em 1885 a região era um imenso banhado pois ali chegavam os rios Ivo e Belém, que não tinham declive e por ser uma região baixa, suas águas ficavam paradas alagando tudo em volta.
Acreditava-se que esta umidade e lamaçal crônicos eram a origem das doenças. Deixavam a região feia, com muitas moscas e sapos.
8. Praça Santos Andrade: já se chamou Largo Tereza Cristina em homenagem à Imperatriz do Brasil, esposa de D Pedro II.
Com o advento da República, o logradouro mudou de nome. Todas as ruas e praças nomeadas com líderes da recém-finda Monarquia ganharam nova denominação.
Antenor D. morava na região, mais precisamente na Rua 13 de Maio e ainda lembra o urro das onças do Passeio Público ecoando nas madrugadas.
Entre ruas e memórias, o tempo tece histórias que resistem ao vai e vem dos dias.
Cada rua, fachada, praça e até o mal cheiroso rio guardam fragmentos de um passado que insiste em permanecer vivo.
E ao caminhar por essas ruas, somos convidados a ouvir os sussurros das gerações que nos antecederam, lembrando-nos de que as ruas são testemunhas silenciosas da vida, entre o que foi e o que está por vir.
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