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25/07/2024

karin romanó

E aí…a magia acontecia!

Curitiba em 1923. Imagino as pessoas passeando na Rua XV de Novembro em uma tarde um pouco fria, decerto como hoje.

O local era o Cine Mignon, que ficava na quadra entre a Monsenhor Celso e a Marechal Floriano. O primeiro com sala de espera, ao lado da Casa Metal.

Chaplin foi o maior comediante do cinema mudo, mas Harold Loyd não ficou muito atrás.

Loyd atuou em cerca de 200 filmes MUDOS a partir de 1914.

E com certeza o filme mais icônico foi o “O Homem Mosca”.

No filme, o personagem principal resolve escalar um prédio para ganhar um prêmio de 1000 dólares e impressionar a garota que gosta.

Na subida vai passando por obstáculos, quase despenca e se agarra aos ponteiros do relógio, pendurando-se enquanto sob as suas pernas a cidade segue seu movimento normal…

O filme parece ainda hoje muito real, apesar de não existir na época nenhum recurso tecnológico parecido com o que temos hoje.

Naquelas primeiras décadas de 1900, o rolo de filme não tinha áudio, portanto o filme não tinha falas e nem trilha sonora.

As histórias eram contadas por meio de mímicas, gestos e letreiros explicativos.

Para suprir essa ausência de áudio, os cinemas contratavam músicos ao vivo.

Podia ser apenas um pianista mas tinha que ser bom! Tinha que tocar algo que combinasse com o que estava sendo exibido. E empolgar e emocionar a plateia.

A escolha das músicas dependia exclusivamente da sensibilidade do pianista

Este letreiro colocado externamente no edifício da Rua XV de Novembro foi muito original pois recriou a cena principal do filme, atraindo a atenção do público que passava nas ruas.

Meu avô Dante Romanó e a irmã dele, Ausônia Romanó – trabalharam como pianistas do cinema mudo nos cinemas de Curitiba nessa época.

Tocavam para ganhar alguns trocados e assim ajudar nas despesas da família.

Suponho que os dois conseguiram essa oportunidade de trabalho em função do irmão mais velho, Adolpho Romanó, que já trabalhava importando e vendendo os carvões e outros suprimentos necessários para os cinematógrafos.

Ele já tinha o contato direto com os donos das salas de projeção. E deve ter indicado os irmãos.

Os carvões eram posicionados na máquina de projeção ficando bem próximos mas sem encostar um no outro, formando um arco voltaico e iluminando a película.

E aí a magia acontecia…

(Foto: acervo Paulo José da Costa)

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