HojePR

HOJEPR LOGO
Siga no WhatsApp
Pesquisar

23/07/2024

karin romanó

Há pessoas preciosas porque são raras

raras

Dr Ralf Kyrmse era uma delas.

Vou falar do ser humano interessante que ele era. E curioso!

Um dia ele se deu conta de que já conhecia 3 continentes.

Mas que não conhecia mais Curitiba – sua própria cidade, que crescera muito para os lados.

E resolveu se lançar numa maratona urbana.

E ao longo de 4 anos percorreu um total de 4.000 kilometros através de 180 linhas de ônibus

A partir de então, falava do Rio Barigui, do bairro Pinheirinho e de tantos lugares percorridos com propriedade. E com entusiasmo.

Conheceu a esposa em 1944 no Interamericano do Edifício Garcêz.

Parece que foi coisa de filme pois ao vê-la pela primeira vez vestindo uma blusa creme, criou coragem, se aproximou e declarou-se:

“Meu nome é Ralf e quero me casar com você”. Ela aceitou. Viveram juntos cinco décadas.

Quando a esposa ficou doente, Ralf se internou com ela na UTI.

Ao perdê-la passou a visitar o túmulo todos os domingos no Cemitério Luterano, nem que fosse debaixo de tempestades.

Foram 13 anos de ausência. Bastava falar o nome dela e lhe caía uma lágrima.

Dr Ralf foi um médico muito competente, humano e estimado. Apaixonado pela medicina, pelos pacientes, pela família e pela vida.

Foi um dos fundadores do Hospital Evangélico e do Hospital César Perneta (Pequeno Príncipe).

É de sua autoria o primeiro livro sobre otorrinolaringologia pediátrica publicado no Brasil.

Foi professor no Curso de Medicina da Evangélica.

Uma particularidade dele: quando chegava na praia de Caiobá colocava uma bandeirola na sacada. Era o sinal que estava ali…pronto para atender qualquer criança que dele precisasse.

Doutor Ralf Kyrmse um curitibano que só deixou saudades e exemplos.

(Imagem de abertura: Galeria Lustoza, onde ficava o consultório do Dr Ralf)

Leia outras colunas da Karin Romanó aqui.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *