A inteligência artificial (IA) tem se tornado cada vez mais presente no cotidiano financeiro das pessoas, especialmente quando se trata de decisões sobre onde e como aplicar o dinheiro. No entanto, especialistas alertam que confiar exclusivamente em ferramentas de IA pode ser arriscado e até prejudicial para a saúde financeira, caso não se leve em conta o perfil e os objetivos pessoais de cada investidor.
Philippe Enke Mathieu, consultor financeiro e CEO da GFX – Inteligência Financeira, explica que, embora o acesso à informação seja mais fácil, as respostas prontas fornecidas por IA não consideram aspectos essenciais da vida de cada pessoa, como sonhos e metas financeiras. “É importante lembrar que planejamento financeiro é um trabalho humano, que envolve entender quais os sonhos e metas desejam ser alcançados para então definir o melhor caminho a seguir”, alerta Mathieu.
À medida que o mercado de capitais brasileiro cresce, com um volume de R$7,9 trilhões em aplicações de investidores pessoas físicas em agosto de 2025, segundo a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercado Financeiro e de Capitais), a cautela ao usar IA se torna ainda mais importante.
Portanto, o especialista orienta que a IA pode ser uma aliada ao organizar dados, simular cenários e até apoiar no acompanhamento de carteiras, mas jamais substitui a etapa fundamental de diagnóstico e planejamento. “Sem esse cuidado, o investidor corre o risco de seguir uma recomendação que parece promissora no curto prazo, mas que pode comprometer sua segurança financeira no futuro”, reforça Mathieu.
Confira 6 dicas para usar a IA de forma responsável no planejamento financeiro:
1. Defina seus objetivos: Antes de buscar respostas em ferramentas de IA, é essencial ter clareza sobre o que você deseja alcançar. Pode ser a compra de um imóvel, a aposentadoria antecipada, a formação de uma reserva de emergência ou até a realização de um sonho pessoal. Com base nisso, serão definidos objetivos para orientar todo o processo de investimento.
2. Conheça seu perfil de investidor: Cada pessoa possui uma tolerância diferente ao risco e uma expectativa distinta de retorno. “Entender se você é conservador, moderado ou arrojado evita frustrações com oscilações do mercado. Um consultor especializado pode ajudar nesse processo, possibilitando a escolha de ativos mais compatíveis com a sua realidade e metas”, sugere o CEO da GFX.
3. Use a IA como apoio, não como guia: As ferramentas de inteligência artificial podem ser muito úteis para organizar dados, analisar tendências e simular cenários de mercado. Porém, suas recomendações são genéricas e não levam em conta as particularidades pessoais de cada um, portanto, devem servir como complemento e não como fonte de decisão.
4. Acompanhe constantemente seus investimentos: O mercado financeiro é dinâmico e pode mudar de acordo com fatores econômicos, políticos e até globais. Nesse cenário, utilizar a IA para monitorar variações pode facilitar, mesmo assim é importante revisar periodicamente sua carteira para garantir que ela continue alinhada aos seus objetivos de vida.
5. Conte com um especialista: Consultores financeiros são preparados para interpretar informações complexas e adaptá-las à sua realidade. “São especialistas no assunto que podem identificar riscos ocultos e propor estratégias personalizadas que dificilmente seriam sugeridas por uma IA”, afirma Mathieu.
6. Eduque-se financeiramente: Aprender conceitos básicos de finanças, como juros compostos, liquidez e diversificação, fortalece a sua autonomia como investidor. Além disso, esse conhecimento permite evitar decisões precipitadas. Afinal, quanto mais você domina o assunto, mais seguro se torna para usar a IA de forma inteligente.
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