A capital paranaense recebeu a conferência AI4Good Learning, iniciativa do International School of Curitiba (ISC Brazil), nos dias 19 e 20 de setembro. O evento reuniu educadores, especialistas e representantes de instituições nacionais e internacionais para discutir o uso da Inteligência Artificial (IA) na educação. O encontro contou com a participação de 116 pessoas, entre elas nomes reconhecidos no cenário educacional mundial, como Trica Friedman, da Shifting Schools, e Fiona Reynolds, diretora de aprendizagem da UnconstrainED.
O foco principal da conferência foi apresentar, de forma prática, como a IA pode apoiar a personalização da aprendizagem, contribuir para o desenvolvimento de novos modelos educacionais e trazer impactos positivos no processo de ensino e aprendizagem. A programação incluiu workshops, estudos de caso e sessões de formação para educadores, gestores e pais, abordando desde os fundamentos técnicos da IA até suas implicações éticas e sociais.
Um dos temas centrais apresentados foi a transição de paradigmas educacionais frente às mudanças do mundo contemporâneo. Durante a palestra de abertura, Fiona Reynolds destacou a passagem do modelo VUCA (acrônimo para volátil, incerto, complexo e ambíguo) para o modelo BANI (mundo frágil, ansioso, não linear e incompreensível).
Segundo ela, para preparar os estudantes para essa nova realidade, é necessário que as escolas se tornem mais resilientes, promovam segurança emocional e se tornem espaços de criação de sentido, mais do que simples ambientes de transmissão de conteúdo.
O debate também trouxe dados e reflexões sobre como a IA pode ajudar no aprendizado individual. De acordo com os especialistas, embora todos os alunos possam aprender, isso não acontece da mesma forma e nem ao mesmo tempo. A IA, com sua capacidade de processar grandes quantidades de dados e identificar padrões de comportamento e conhecimento, pode ajudar educadores a adaptar conteúdos e métodos, de modo a atender melhor às necessidades específicas de cada estudante. O ISC apresentou um estudo de caso com exemplos de trilhas personalizadas desenvolvidas para alunos do Ensino Fundamental II e Médio.
Além de apresentar benefícios da tecnologia, o evento também discutiu os riscos associados ao seu uso. Foram realizadas sessões voltadas à privacidade e proteção de dados, integridade acadêmica e o impacto do uso da chamada “IA companheira”, especialmente entre adolescentes. A pesquisadora Tricia Friedman destacou o crescimento do uso dessas ferramentas por jovens de 13 a 17 anos e defendeu a importância de diálogo aberto entre pais, educadores e estudantes sobre essas novas formas de interação digital.
A conferência também abordou aspectos técnicos do uso da IA por educadores. Foram apresentados três níveis de aplicação da tecnologia para análise de dados educacionais, desde o uso básico de ferramentas como ChatGPT, passando por modelos personalizados com instruções específicas, até integrações mais avançadas por meio de APIs. Ferramentas como Google AI Studio e Claude foram demonstradas como exemplos de plataformas acessíveis e eficazes. Os especialistas destacaram que, para obter resultados relevantes, é fundamental que os educadores aprendam a formular boas instruções (prompts) e tenham atenção à privacidade das informações.
Foto: Fernando Severo



