O Brasil vem ganhando destaque na agenda climática global como um país com potencial para oferecer soluções que unem desenvolvimento econômico, inovação tecnológica, inclusão social e preservação ambiental. Esse foi o foco das discussões durante o Fórum LIDE Paraná de Sustentabilidade, que realizou sua quarta edição em Curitiba com a presença de líderes empresariais, representantes do governo e especialistas em ESG (ambiental, social e governança).
A presidente do LIDE Paraná, Heloisa Garrett, destacou a importância de valorizar iniciativas locais com impacto direto no desenvolvimento sustentável do Estado. “Neste ano, escolhemos prestigiar e privilegiar cases locais, com soluções que podem otimizar e somar às iniciativas que já estão acontecendo aqui no Paraná. Trazemos ao palco uma visão mundial sobre a agenda, aliada aos grandes cases de sucesso do nosso Estado, mostrando que o Paraná está na vanguarda das práticas sustentáveis no Brasil”, afirmou.
Ela também reforçou o papel estratégico da sustentabilidade nos negócios: “O nosso objetivo é evidenciar que a sustentabilidade não é um custo, mas um investimento inteligente, que fortalece marcas, atrai talentos e gera resultados concretos para a longevidade das empresas.”
Um dos destaques do evento foi a participação da ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Izabella Teixeira, que falou sobre a expectativa para a COP30, que será realizada no Brasil em 2025. “O Brasil se coloca como potencial provedor de soluções climáticas, que demandam não apenas a regulação dos mercados, mas sim a criação de novos mercados”, afirmou.
Casos práticos também foram apresentados durante o evento. A coordenadora de ESG da Arauco Brasil, Maíra Pereira, apresentou os resultados do Protocolo de Carbono e Neutralidade, que, entre 2018 e 2022, filtrou mais de 22 milhões de toneladas de CO² da atmosfera. “Buscamos processos de eficiência operacional para fazer mais com menos”, declarou. Ela também comentou sobre o uso inteligente de energia a partir de biomassa.
A transição energética foi outro tema central no fórum. O superintendente Geral de Gestão Energética do Governo do Paraná, Sandro Vieira, destacou o papel do Estado no avanço de tecnologias limpas. “Nós temos um olhar estratégico para a transição energética no Paraná”, afirmou. O Paraná já investe em usinas reversíveis, que armazenam energia por meio do bombeamento de água, além de políticas públicas voltadas ao biogás e ao biometano. “Olhamos o tema da transição energética como uma emergência climática. E entendemos neste cenário que a valorização dos resíduos é fundamental”, completou.
Além das soluções ambientais, o fórum também apresentou iniciativas com foco nos pilares social e de governança. Projetos como o “Catadores de Futuro”, da empresária Solange de Freitas, o “Projeto Aprova”, do Grupo Gerar, e o “Tempo de Aprender”, da Estre Ambiental, mostraram como a educação pode transformar realidades e promover cidadania.
Iniciativas de gestão de resíduos e economia circular também tiveram espaço. O engenheiro ambiental Leon Miecoanski, do Grupo KWM, apresentou o projeto ReVeste, que recicla resíduos têxteis. Já a diretora do Grupo Reciclex, Fernanda Faret, compartilhou práticas relacionadas à compostagem, controle de emissão de gases e reaproveitamento de efluentes.
O encerramento contou com palestra do secretário de Desenvolvimento Sustentável do Paraná, Rafael Greca, que reforçou a importância da presença do Brasil na próxima conferência do clima. “O Brasil na COP precisa ter uma posição jurídica de defesa do estoque de carbono”, afirmou, ao defender que “a floresta em pé vale mais do que derrubada”.
Greca também apresentou resultados práticos, como a redução de 60% na conta de luz da prefeitura de Curitiba com o uso de energia solar e a adoção de ônibus elétricos, que evitam a emissão de mais de 100 toneladas de CO² por ano, por veículo. “Temos que mostrar para as outras nações que as energias sujas não estão aqui”, concluiu.
Foto: Rubens Nemitz Jr



