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Os congressistas do Partido Democrata na Câmara os Deputados dos EUA divulgaram nesta quarta-feira (12), uma série de e-mails em que o empresário Jeffrey Epstein afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sabia dos crimes cometidos pelo magnata e “passou horas” com uma das vítimas de Epstein.
Os democratas do Comitê de Fiscalização da Câmara disseram que os e-mails, que eles selecionaram de milhares de páginas de documentos recebidos pelo seu painel, levantaram novas questões sobre o relacionamento entre os dois homens. Em uma das mensagens, Epstein afirmou categoricamente que Trump “sabia sobre as meninas”, muitas das quais eram menores de idade. Em outro e-mail, Epstein questionou Trump sobre como abordar o relacionamento deles, já que o republicano estava se tornando uma figura de relevância nacional.
O presidente americano negou veementemente qualquer envolvimento ou conhecimento da rede de tráfico sexual de Epstein. Trump disse que ele e o empresário, que cometeu suicídio em uma prisão federal em 2019, eram amigos, mas se afastaram depois de uma desavença.
As novas informações sobre os e-mails de Epstein certamente vão inflamar o debate no Capitólio sobre o manejo dos arquivos do empresário pelo governo Trump e a indecisão sobre liberar ou não as informações.
O tema dividiu o Partido Republicano e os principais apoiadores do núcleo duro trumpista, que queriam a liberação dos arquivos e se irritaram com o governo Trump quando a administração se negou a fazer isso.
“Esses últimos e-mails e correspondências levantam perguntas gritantes sobre o que mais a Casa Branca está escondendo e a natureza da relação entre Epstein e o presidente”, apontou o congressista Robert Garcia da Califórnia, o principal Democrata no Comitê de Supervisão, em um comunicado.
A liberação dos e-mails ocorreu horas antes de o presidente da Câmara dos Deputados, o republicano Mike Johnson, empossar a congressista eleita Adelita Grijalva, uma democrata do Arizona. Ele tem evitado a posse da congressista nos últimos dois meses, desde que ela ganhou a eleição.
A assinatura da congressista é a última que os democratas precisam para forçar a abertura de uma votação na Câmara sobre uma medida que exige que o governo Trump libere todo o seu material investigativo relacionado a Epstein.
Conteúdo dos e-mails
As três trocas separadas de e-mails divulgadas nesta quarta-feira eram todas posteriores ao acordo de confissão de Epstein em 2008 na Flórida, sobre acusações estaduais de solicitação de prostituição, no qual os promotores federais concordaram em não prosseguir com as acusações.
As conversas também ocorreram depois que Trump e Epstein tiveram um desentendimento no início dos anos 2000. Em um e-mail endereçado a Ghislaine Maxwell, sócia e namorada de Epstein, em abril de 2011, o empresário menciona o presidente americano.
“Quero que você perceba que aquele cachorro que não latiu é Trump.” Ele acrescentou que uma vítima não identificada “passou horas na minha casa com ele, ele nunca foi mencionado uma única vez.” “Tenho pensado nisso,” escreveu Maxwell, em resposta.
Em outros dois e-mails que Epstein enviou a Michael Wokff, o empresário afirmou que “Trump sabia sobre as meninas, pois pediu à Ghislaine para parar.”
Os congressistas democratas apontam que Ghislaine Maxwell, que está cumprindo uma sentença de 20 anos de prisão nos EUA por tráfico sexual, deve pedir formalmente para que Trump comute sua sentença.
A equipe do comitê retirou nomes de vítimas dos arquivos. Como o conjunto completo de documentos não foi divulgado, não estava claro se os e-mails haviam sido extraídos de conversas maiores que poderiam ter fornecido um contexto mais amplo.
Trump condenou as perguntas contínuas sobre seu manejo do caso como uma “farsa” perpetrada pelos democratas. Ele chamou Epstein de “nojento” e insistiu que nunca se envolveu em nenhuma irregularidade com ele ou Ghislaine Maxwell.
Amizade com Trump
Epstein e Trump eram amigos na década de 90 e no início dos anos 2000. O relacionamento deles esfriou em 2004, embora existam várias versões sobre o motivo. Segundo relatos, eles se afastaram após tentarem superar um ao outro em um leilão por um imóvel em Palm Beach.
O presidente americano afirmou recentemente que o relacionamento deles acabou depois que Epstein havia “contratado” funcionárias do spa de Trump em Mar-a-Lago, seu clube privado e residência em Palm Beach.
O republicano apontou que expulsou Epstein de seu clube e disse que acreditava que uma das mulheres cooptadas por Epstein era Virginia Giuffre, uma mulher que trabalhava em Mar-a-Lago ainda adolescente.
Mais cedo este ano, o governo Trump divulgou a transcrição de uma entrevista judicial com Ghislaine Maxwell, que reconheceu que Trump e Epstein foram amigos, mas negou qualquer conexão entre Trump e o esquema de tráfico sexual.



