Com a temporada de descontos oficialmente aberta, muitos consumidores se planejam financeiramente para aproveitar ofertas da Black Friday. A pesquisa Tendências de Consumo 2025 indica que 70% das pessoas tentam se organizar antes do período de promoções. Na prática, porém, o planejamento nem sempre é seguido. Um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas aponta que 62% dos brasileiros fazem compras por impulso no ambiente digital, e mais de 35% já contraíram dívidas por compras inesperadas.
Segundo o professor Sergio Czajkowski Junior, da UniCuritiba, esse comportamento revela a efetividade das campanhas promocionais em criar senso de urgência. “Na Black Friday, as ofertas limitadas e contagens regressivas se tornam gatilhos poderosos para decisões de compra nem sempre racionais”, explica.
O especialista destaca que essas estratégias exploram vieses cognitivos, como o FOMO (fear of missing out, ou medo de perder uma oportunidade), reduzindo o tempo de reflexão e impulsionando decisões rápidas. Para evitar armadilhas financeiras, ele reforça a importância da educação financeira: “Educação financeira não é apenas sobre saber poupar ou investir. É, acima de tudo, sobre desenvolver a capacidade crítica de discernir entre necessidade e desejo, entre o valor real e o valor percebido.”
Sergio observa que o comportamento infantil oferece lições sobre consumo consciente, já que crianças tendem a diferenciar naturalmente entre o que precisam e o que desejam. “As crianças raramente se deixam seduzir por oportunidades classificadas como imperdíveis ou pelo medo de perder um desconto. Isso ocorre porque a compreensão delas a respeito de valor e urgência é diferente e está desconectada da necessidade de ostentar algo para alguém”, afirma.
5 lições ensinadas pelas crianças
- Adiar a gratificação é possível – quando as crianças precisam esperar por algo que desejam muito, elas aprendem que nem tudo está disponível imediatamente. Essa é a base da gestão financeira: se os recursos são limitados, é preciso eleger prioridades.
- Questionar antes de comprar – a criança pergunta “por quê?” antes de aceitar qualquer argumento. Na hora da compra, os adultos precisam fazer o mesmo: “eu realmente preciso?”, “isso vale o preço?”, “estou sendo enganado?”. Essas simples perguntas desativam o senso de urgência.
- Diferenciar necessidade de desejo – as crianças compreendem intuitivamente a diferença entre essencial e supérfluo. Elas sabem que “precisam” de comida, água e roupas e sabem que “querem” brinquedos. A clareza mental é o antídoto contra compras impulsivas.
- Resistir a artifícios publicitários – as crianças são alvo de muitas campanhas de marketing, mas não é fácil enganá-las. Como elas ainda não desenvolveram vulnerabilidades emocionais exploradas pela propaganda, não são influenciadas por ofertas. Em geral, elas buscam uma lógica para justificar o que desejam, e não um desconto.
- Priorizar o que importa – quando uma criança tem pouco dinheiro (mesada ou presente), cada centavo é cuidadosamente considerado. A maioria não gasta suas economias facilmente. Em geral, a criança escolhe o que realmente quer. Esse é o comportamento financeiro saudável que adultos precisam recuperar.
Para aplicar essas lições, o especialista recomenda técnicas simples: definir orçamento antes de olhar ofertas, criar listas de compras com itens realmente necessários, pesquisar preços e adotar a “regra da pausa”, aguardando pelo menos 24 horas antes de finalizar a compra. Essas práticas ajudam a reduzir compras por impulso e equilibrar o orçamento doméstico durante a Black Friday.
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