Os impactos econômicos provocados pelas interrupções no fornecimento de energia no Paraná, serviço sob responsabilidade da Companhia Paranaense de Energia (Copel), foram debatidos na noite desta terça-feira (9) durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Proposto e organizado pelo deputado Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição, o encontro também marcou o lançamento de uma campanha para reverter a privatização da Copel, realizada pelo governo do Estado em 2023.
“Quedas frequentes de energia, demora na religação e solicitações de serviço sem resposta. A Copel deixou de investir o que vinha sendo feito ao longo de 70 anos. Hoje temos uma empresa terceirizada, com quadros esvaziados por um Plano de Demissão Voluntária (PDV), que retirou 50% da força de trabalho”, denunciou Chiorato. “A empresa que já foi a mais premiada no ramo hoje é a primeira em reclamações”.
O parlamentar explicou que a mobilização consiste na coleta de assinaturas para apresentar um Projeto de Iniciativa Popular (PLIP) que permita ao Governo do Paraná recomprar ações da empresa e retomar o controle acionário. A coleta será realizada de forma presencial e virtual. Movimentos sociais que participaram da audiência se comprometeram a auxiliar na busca por signatários. A coleta deve começar ainda em dezembro, com a meta de reunir ao menos 90 mil assinaturas. A Constituição do Paraná exige, para que um projeto de iniciativa popular tramite no Legislativo, o apoio de 1% do eleitorado estadual, distribuído em ao menos cinquenta municípios, com participação mínima de 1% dos eleitores de cada um deles.
Impactos
A deputada Luciana Rafagnin (PT) listou os prejuízos sofridos pelo setor produtivo com os apagões. Segundo ela, entre os dias 21 e 22 de setembro, mais de 1 milhão de imóveis foram afetados. “Tivemos o caso de um produtor de frango de Capitão Leônidas Marques [município do Oeste] que perdeu cerca de oito mil frangos”, ilustrou a parlamentar. Na época, temporais assolaram a região e provocaram estragos em diversas cidades paranaenses. “No dia 24, tínhamos ainda mais de 12 mil imóveis sem energia”, denunciou. O problema também foi destacado por Tainá Guanini de Oliveira, secretária de Juventude Rural da Fetaep, e pelo advogado Fabrício Kleinibing, que abordaram a situação dos produtores de leite, avicultores e de tilápia.
O presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR), Leandro Grassmann, apresentou análises que mostram aumento no tempo de reparo e nos gastos com compensações após a privatização. Com base em dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), informou que o tempo médio de conserto era de 1h30 em 2010 e passou para 4h30 em 2025. Já o valor total de compensações pagas em um ano a consumidores afetados saltou de cerca de R$ 100 mil para R$ 4 milhões. “Alertamos que haveria aumento nos lucros, nos dividendos e nos salários da diretoria, acompanhado de piora na qualidade e aumento das tarifas”, afirmou.
Alexandre Hungaro da Silva, presidente da Central dos Trabalhadores Brasileiros, destacou a redução no patrimônio da empresa, citando a venda de imóveis e da Usina Termelétrica a Gás de Araucária (Uega). “É importante mostrar o quanto a Copel diminuiu de tamanho. Não temos mais a Copel de 2023. A empresa está sendo fatiada e vendida em partes”, criticou.
A condição de moradores mais vulneráveis diante dos apagões e a necessária sensibilização da Companhia referente a quem ainda não é atendido pelo serviço foram defendidos por Ana Clara, representante do Movimento de Trabalhadoras por Direito (MTD/PR), e por Paulo Bearzoti, do Movimento Popular por Moradia (MPM). “Quando cai a luz nas comunidades, não é só apagão. Muitas vezes são perdidos eletrodomésticos. Pessoas que têm muito pouco sofrem um prejuízo enorme”, frisou Ana.
O líder comunitário Davi Taborda criticou processos de reintegração de posse empreendidos pela empresa, especialmente em Almirante Tamandaré, município da região metropolitana de Curitiba (RMC). “Só lá são 5 km onde estão 240 famílias e cerca de mil pessoas”, denunciou. A região em questão é atravessada por uma área de transmissão de energia elétrica.



