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A piada do rebaixamento

20/02/2026
piada

Nada mais deprimente do que a primeira-dama ameaçando desfilar em carro alegórico na Sapucaí. Seria a coroação da bajulação, do laudatório, do proselitismo, do puxa-saquismo nu e cru da folia oficial. Financiada com o dinheiro do contribuinte (não existe dinheiro público), a Acadêmicos de Niterói foi para as calendas, rebaixada para a segunda divisão do Carnaval carioca.

Janja bem que queria, mas a avaliação dos gestores de riscos do governo falou mais alto. A escola desfilou, rasgou a legislação eleitoral mais do que a fantasia, e o vexame apoteótico foi parar no trending cômico das redes sociais.

Saiu Janja, entrou Fafá de Belém, a musa das Diretas Já e do hino nacional entoado lento e chato. O que não se faz por um pagode na conta bancária.

João Santana, o ex-marqueteiro do PT, nem precisou profetizar. Foi mesmo uma eletrocussão política. Lula, que dá sinais de quem vai combalido e claudicante concorrer ao quarto mandato presidencial, precisaria de uma claque blindada e uníssona para cruzar a avenida representado por um boneco de 13 metros que não lembrasse o Pixuleco da corrupção.

A Comissão de Frente da Vergonha Alheia, encarnada pela Niterói, puxou 25 alas, cinco carros alegóricos e 3.100 componentes, a quem não se pode eximir de culpa, já que muitos deles são petistas que compraram a fantasia.

Cova política

Os analistas se apressam a dizer que o petista pode ser multado por propaganda eleitoral antecipada, mas é improvável a sua condenação por abuso de poder. Lula escapou dessa possibilidade ao molhar a mão de cada uma das escolas do primeiro grupo com R$ 1 milhão. A ordem foi dada por Marcelo Freixo, um bocó da esquerda que acaba de jogar mais uma pá de terra em sua cova política.

O núcleo de campanha do PT certamente mediu os efeitos do enredo picaresco. Nada, no entanto, que ultrapasse o mau gosto e o horror da campanha “Lubrificar é Prevenir”, lançada pelo Ministério da Saúde para alertar o folião sobre o uso da camisinha.

Santana diz que Lula esqueceu das tradições do Carnaval, que preza mais pela demolição e pela irreverência do que para a exortação de um presidente que ainda exerce o mandato. Mas o petista vive em um mundo de fantasia. Que o diga a primeira-dama, tão dada a discursos vitimistas e sacolejos em iates.

Enquanto o país afunda em denúncias envolvendo políticos graúdos, banqueiros e ministros do STF, Lula julga-se intocável o suficiente para receber homenagens que fazem alusão ao seu passado de operário e não aos dias amargos na prisão. Por sorte, foi ali que o amor por Janja desabrochou e, como se sabe, engatou.

Para baixo e além

A Acadêmicos de Niterói foi a última colocada do grupo especial, perdeu pontos em todos os nove quesitos e só alcançou nota dez em samba-enredo porque dois dos quatro jurados do quesito foram misericordiosos.

No desfile, a escola atirou na família conservadora e acertou nos evangélicos, um grupo que pode definir a eleição em outubro. O carnavalesco da Niterói é um tal de Thiago Martins, mas há comentários de que Janja trabalhou nos bastidores para apimentar a crítica aos adversários. Ela é uma espécie de Mick Jagger do agreste.

Quanto ao futuro da Niterói, pouco se sabe. Ela é neófita, foi fundada em 2018 e tem tudo para alcançar o mesmo estrelato do Parana Clube em curto período de tempo. Os paranistas vão entender. Para baixo e além.

(Imagem: I.A.)

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