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Líderes europeus se mobilizaram para proteger seus cidadãos no Oriente Médio e descobrir como responder aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã neste sábado (28), em meio a desdobramentos rápidos no terreno.
A Alemanha realiza uma reunião de emergência para discutir a situação no Irã. A União Europeia está evacuando parte de sua equipe da região.
Os Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra alvos em todo o Irã nesta madrugada, e o presidente americano Donald Trump pediu ao povo iraniano que “assumisse o controle do seu governo” — um apelo fora do comum que sugere que eles poderiam estar buscando acabar com a teocracia do país após décadas de tensões.
Não ficou claro se os aliados dos EUA receberam algum aviso prévio dos ataques. O governo alemão afirmou que só foi notificado dos ataques na manhã de sábado. O secretário de Estado da Defesa da França disse que a França sabia que algo aconteceria, mas não sabia quando.
Líderes da UE pedem moderação
Os líderes da União Europeia emitiram uma declaração conjunta neste sábado, apelando à moderação e ao envolvimento na diplomacia regional, na esperança de “garantir a segurança nuclear”.
“Garantir a segurança nuclear e prevenir quaisquer ações que possam agravar ainda mais as tensões ou prejudicar o regime global de não proliferação é de importância crucial”, afirmaram a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente do Conselho Europeu, António Costa. “Apelamos a todas as partes para que exerçam a máxima contenção, protejam os civis e respeitem integralmente o direito internacional.”
Ambos afirmaram que, embora o bloco de 27 nações tenha priorizado a diplomacia para resolver questões críticas, também impôs “sanções extensas em resposta às ações do regime assassino do Irã e da Guarda Revolucionária”.
Eles disseram que Bruxelas estava trabalhando com os países membros da UE para apoiar seus cidadãos no Oriente Médio.
Diplomata classificou o conflito como ‘perigoso’
A principal diplomata da União Europeia classificou o conflito no Oriente Médio como “perigoso” e disse que estava trabalhando com autoridades israelenses e árabes para buscar uma paz negociada.
“O regime do Irã matou milhares de pessoas. Seus programas de mísseis balísticos e nucleares, juntamente com o apoio a grupos terroristas, representam uma séria ameaça à segurança global”, disse Kaja Kallas, chefe de política externa do bloco de 27 nações, em uma postagem nas redes sociais.
“A UE também está coordenando estreitamente com os parceiros árabes para explorar vias diplomáticas.”
Ela disse que a UE estava evacuando alguns funcionários na região, mantendo uma missão marítima no Mar Vermelho. A UE impôs recentemente novas sanções ao Irã e a figuras importantes, o que levou Teerã a retaliar com sanções.
Alemanha diz monitorar a situação
O governo alemão disse que estava monitorando a situação no Irã, em Israel e em toda a região do Oriente Médio após ser informado sobre os ataques israelenses na manhã de sábado. A equipe de gestão de crises do governo alemão deve se reunir ao meio-dia para discutir a situação no Irã.
O chanceler Friedrich Merz já estava se consultando com ministros responsáveis pela segurança e com parceiros europeus.
O governo alemão pediu aos cidadãos alemães no Irã, em Israel e na região em geral que se inscrevessem no sistema oficial de registro de cidadãos no exterior e seguissem as instruções das autoridades locais sobre as medidas necessárias para sua própria proteção.
França fala em ‘situação de guerra’
A França, cujas forças armadas têm bases e presença regular no Oriente Médio, está pedindo aos cidadãos franceses na região que tomem extremo cuidado.
“Uma escalada militar está em andamento. … Não é hora de negociações, estamos em uma situação de guerra”, disse a ministra adjunta da Defesa, Alice Rufo, à televisão France-2 no sábado, comparando a situação ao que aconteceu em junho passado.
“Nossa prioridade é a proteção de nossos cidadãos e de nossas forças na região”, disse ela.
Questionado se as forças francesas estavam envolvidas nos ataques dos EUA e de Israel ou se eram alvo de ataques retaliatórios, o porta-voz militar francês, coronel Guillaume Vernet, disse: “As forças armadas francesas adaptam continuamente sua postura às ameaças e implementam medidas para garantir a vigilância e a proteção das instalações militares onde os soldados franceses estão destacados.”
Ele não deu mais detalhes. “Nossa presença militar garante a avaliação independente da situação pela França”, disse ele à AP.
No X, o presidente Emmanuel Macron, afirmou que o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã “acarreta graves consequências para a paz e a segurança internacional.”
Ele pediu o fim da “escalada em curso”. “O regime iraniano deve compreender que não tem mais outra opção senão iniciar uma negociação de boa-fé para pôr fim ao seu programa nuclear e balístico”, escreveu. Macron afirmou que a França convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e está mobilizando recursos a pedido de seus parceiros.
Rússia condena os ataques
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou os ataques como “um ato premeditado e não provocado de agressão armada contra um Estado-membro soberano e independente da ONU”, exigindo a interrupção imediata da campanha militar e o retorno à diplomacia.
Em um comunicado publicado no Telegram, o ministério acusou Washington e Tel Aviv de se “esconderem atrás” de preocupações com o programa nuclear iraniano enquanto buscam uma mudança de regime, alertando que os ataques corriam o risco de desencadear uma “catástrofe humanitária, econômica e possivelmente radiológica” na região e acusando os Estados Unidos e Israel de “mergulharem o Oriente Médio em um abismo de escalada descontrolada”.
Moscou classificou o bombardeio de instalações nucleares sob as salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica como “inaceitável” e afirmou estar pronta para ajudar a mediar uma resolução pacífica, atribuindo total responsabilidade pela escalada aos Estados Unidos e a Israel.
Itália ‘reitera seu apoio à população civil iraniana’
O governo italiano orientou os italianos a terem o máximo de cautela e seguirem as instruções fornecidas por suas embaixadas na região. O gabinete da primeira-ministra Giorgia Meloni disse que ela entraria em contato com os aliados e líderes da região nas próximas horas para “apoiar qualquer iniciativa que possa levar a uma redução das tensões”.
“A Itália reitera seu apoio à população civil iraniana, que corajosamente continua a exigir respeito por seus direitos civis e políticos”, disse o gabinete de Meloni.
Suíça e Espanha pedem pelo respeito ao direito internacional
A Suíça pediu o pleno respeito ao direito internacional e instou “todas as partes a exercerem a máxima moderação, protegerem os civis e a infraestrutura civil”.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse que o país está acompanhando a situação e fez o mesmo apelo pela prevalência do direito internacional.
“A violência só traz caos. A redução da tensão e o diálogo são o caminho para a paz e a estabilidade”, escreveu Albares no X.
Ele disse que todas as embaixadas da Espanha na região continuam funcionando para seus cidadãos.



