Um contrato de aproximadamente R$ 53 milhões destinado a serviços de jardinagem e manutenção de áreas verdes na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) tornou-se alvo de críticas e suspeitas de deputados da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). A cifra elevada e desproporcional para um serviço considerado operacional chamou a atenção dos parlamentares.
A denúncia foi apresentada pelo deputado estadual Marcelo Rangel, que classificou o valor como desproporcional e levantou dúvidas sobre a necessidade, a abrangência e os critérios adotados para a contratação. Segundo o parlamentar, o montante destinado à jardinagem ultrapassa o que seria razoável mesmo para um conjunto amplo de unidades, especialmente em um cenário de restrições orçamentárias e cobrança por eficiência no uso de recursos.
“A Fiep gastou sete vezes mais com jardinagem em apenas um ano. Veja só, entre 2024 e 2025 o crescimento foi exorbitante. Sob a gestão do atual presidente, Edson Vasconcelos, houve aditivos que precisam ser explicados a esta casa e a todos os paranaenses”, disse Marcelo Rangel
A manutenção de jardins, poda de árvores, conservação paisagística e limpeza de áreas externas são atividades rotineiras, mas dificilmente associadas a cifras multimilionárias. Para Rangel, o valor sugere possíveis excessos, falhas de planejamento ou até mesmo a necessidade de auditoria mais detalhada sobre a execução e a contratação.
Além do volume financeiro, Rangel também questionou a duração do contrato, a quantidade de unidades atendidas e a eventual terceirização integral dessas atividades, fatores que podem inflar o custo total ao longo do período. “Em 2025, além do valor total contratado ter subido para R$53 milhões, 287% de aumento, os serviços efetivamente realizados também dispararam. Cerca de R$9,1 milhões foram executados no período de um ano, um crescimento, muito superior ao registrado antes”, disse. Rangel citou ainda que R$47,5 milhões do volume total correspondem exclusivamente a aditivos”, disse ele.
A repercussão do episódio ganhou força nas redes sociais e no meio político, com um pedido de CPI sugerido pelo deputado Adriano José (PP).
O outro lado
A assessoria de imprensa da Fiep encaminhou uma nota técnica sobre o assunto ao HojePR. Segue na íntegra:
O Sistema Fiep identificou recentemente uma inconsistência de natureza exclusivamente classificatória no Portal da Transparência, na
qual parte dos serviços de facilities foi registrada sob a rubrica de jardinagem.
Os serviços de facilities compreendem um conjunto mais amplo de atividades de apoio à operação das mais de 50 unidades, incluindo limpeza e conservação, apoio operacional, serviços em áreas externas e outras rotinas de infraestrutura necessárias ao funcionamento das instalações.
A inconsistência refere-se apenas à forma de classificação no portal, sem qualquer alteração de valores, contratos ou escopo dos serviços prestados. A equipe técnica já iniciou o processo de atualização e reclassificação das informações para refletir de forma precisa a natureza dos serviços, além da revisão em todo o portal.
Ressalta-se que os contratos seguem os parâmetros administrativos e históricos da instituição, não havendo qualquer irregularidade na execução ou nos valores praticados.
O Sistema Fiep reafirma seu compromisso permanente com a transparência e permanece à disposição para quaisquer esclarecimentos.



