Os ataques dirigidos à jornalista Emanoelle Wisnievski, diretora de imprensa da Prefeitura de Castro, nos Campos Gerais, provocaram indignação e reação de entidades da comunicação e ampliaram a cobrança por responsabilização da autora das ofensas. O portal HojePR manifesta solidariedade à profissional e repudia de forma contundente as declarações de cunho misógino feitas por uma blogueira com atuação política na cidade, completamente incompatíveis com o debate público e com o respeito às mulheres.
A ofensa ocorreu após um contato de Wisnievski com a blogueira Patrícia Cordeiro, que tentou se eleger vereadora em Castro nas últimas eleições. A jornalista se ofereceu para prestar esclarecimentos e fornecer informações à blogueira sobre assuntos frequentemente tratados no seu blog. Em vez de questionamentos técnicos, a blogueira respondeu com ataques pessoais que buscaram desqualificar a trajetória profissional de Wisnievski. Usando as suas redes sociais, Cordeiro sugere que a jornalista estaria supostamente se valendo de artifícios sexuais para manter o cargo na Prefeitura.
Em áudio enviado ao HojePR, Emanoelle Wisnievski descreveu o impacto do episódio e anunciou medidas legais. “Foi um dia horrível na minha vida em que eu tive a minha competência, minha qualificação, o conhecimento que eu tenho, a minha experiência de 25 anos nessa profissão, em cheque. É um discurso misógino, machista, absurdamente machista, em que desqualifica o papel de uma mulher, de uma profissional, atribuindo a ela o fator sexual para conseguir alguma coisa, como se a mulher precisasse prestar serviços sexuais para chegar onde quer chegar”, diz Wisnievski.

Segundo a jornalista, os ataques ultrapassaram qualquer limite de crítica política ou profissional e configuram violência de gênero ao associar sua atuação a insinuações de natureza sexual, estratégia historicamente utilizada para deslegitimar mulheres em posições públicas. Com mais de duas décadas de experiência, ela afirma que a tentativa de desacreditá-la atinge não apenas sua reputação pessoal, mas também o respeito ao trabalho jornalístico.
“Distribui de graça um discurso odioso que oprime as mulheres e que incentiva o ódio contra as mulheres, em um momento tão crítico da nossa sociedade em que as mulheres são vítimas em número expressivo de violências como o abuso, o abuso sexual e até o feminicídio. A violência contra a mulher começa no discurso misógino”, ressalta. “Esse discurso tem que ser combatido especialmente entre as pessoas que estão usando os meios de comunicação de forma irresponsável e que querem representar o povo através de uma candidatura”, completou Wisnievski.
Entidades representativas da categoria condenaram o episódio e destacaram que ataques pessoais e discriminatórios contra profissionais da imprensa representam uma forma de intimidação incompatível com a liberdade de expressão e com a democracia. O entendimento é de que divergências e questionamentos são legítimos, mas não justificam agressões baseadas em gênero ou ataques à honra.
PT de Castro lava as mãos
O caso também expôs uma dimensão política. A blogueira responsável pelas declarações, Patrícia Cordeiro, é filiada ao Partido dos Trabalhadores e já disputou eleições municipais. Uma nota divulgada pelo diretório local da sigla foi interpretada como insuficiente diante da gravidade das ofensas, por não apresentar condenação clara à postura da filiada nem indicar medidas concretas. Na prática, a manifestação do PT de Castro soou como uma tentativa de distanciamento formal sem responsabilização efetiva, o que equivale a tolerar um discurso considerado preconceituoso e violento.
“Esclarecemos que os episódios mencionados ocorreram em âmbito particular, sem qualquer relação com as diretrizes ou canais oficiais do partido. Diante da situação, entendemos que os fatos devem ser devidamente apurados pelos meios legais e institucionais cabíveis, garantindo o direito de manifestação e de defesa das pessoas envolvidas”, diz a nota divulgada pelo PT.
Especialistas em comunicação e direitos das mulheres apontam que episódios desse tipo contribuem para normalizar a hostilidade contra mulheres que ocupam espaços públicos, reforçando estereótipos que associam a ascensão feminina a fatores pessoais e não à competência. O efeito é a intimidação indireta de outras profissionais e o empobrecimento do debate público.
“Essa mulher, ela foi candidata à vereadora com uma votação expressiva na nossa cidade, será novamente candidata e é inadmissível que o Partido dos Trabalhadores mantenha ela em seu quadro e coadune com essa posição, com essa postura tão violenta, tão misógina, preconceituosa, ultrapassada e que devemos combater”, disse à jornalista Emanoelle Wisnievski.
A jornalista informou que já registrou boletim de ocorrência e pretende buscar reparação judicial. O caso poderá avançar nas esferas criminal e cível, conforme a apuração das autoridades sobre eventuais crimes contra a honra e outras infrações previstas na legislação. “Estou pedindo, também, ao diretório nacional do Partido dos Trabalhadores, que ela seja desfiliada do partido e também entrarei na justiça. Já estou fazendo o boletim de ocorrência na delegacia”.
Wisnievski afirma que seu objetivo é impedir que esse tipo de discurso se normalize e proteger outras mulheres de situações semelhantes. O episódio reacende o debate sobre violência política de gênero e responsabilidade no uso das redes sociais por figuras públicas, especialmente quando a comunicação é utilizada para ataques pessoais. “Procurarei os meios legais para impedir que esse tipo de discurso se propague, ganhe espaço e interfira no mundo que eu estou deixando para minha filha”, disse ela.
O HojePR reafirma sua solidariedade à jornalista e o compromisso com a defesa da liberdade de imprensa, do respeito às mulheres e de um ambiente público em que divergências não se convertam em agressão.



