ANO IV

06/06/2026

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POLÍTICA

Saída de Giacobo do PL revela o novo mapa da direita no Paraná

25/03/2026
giacobo

Por João Zisman

A saída de Giacobo da presidência do PL e sua desfiliação não surpreendem quem acompanha o bastidor mais de perto. Ele sempre esteve alinhado a Ratinho Junior. O que houve agora foi coerência. Com a mudança de eixo do partido, Giacobo apenas formalizou uma posição que já era conhecida.

O efeito, no entanto, é relevante. O PL deixa de ter qualquer ambiguidade no estado e passa a operar integralmente sob a lógica do projeto de Moro, com comando alinhado ao bolsonarismo e sem espaço para convivência interna de correntes distintas.

Giacobo, por sua vez, não sai vazio. Leva consigo base municipal, prefeitos e uma rede política consolidada no interior. Esse deslocamento reorganiza parte da força fora do partido e reforça, ainda que indiretamente, o campo de Ratinho.

Do lado de Moro, a estrutura partidária fica mais homogênea, mas não necessariamente mais estável. Ele ainda é relativamente novo no ambiente eleitoral e carrega um histórico complicado de convivência partidária. Na última eleição, deixou o Podemos de forma abrupta, com o partido arcando com custos relevantes da operação eleitoral, inclusive despesas elevadas com deslocamentos. Esse tipo de precedente pesa nos bastidores e não passa despercebido por quem precisa montar nominata e dividir espaço político.

A filiação de Rosângela Moro ao PL do Paraná adiciona uma camada adicional de pressão. Moro tende a ser o principal cabo eleitoral da esposa, o que inevitavelmente interfere na disputa interna por votos e visibilidade entre os candidatos a deputado federal. Em um partido que precisa equilibrar sua chapa, esse fator pode gerar desconforto.

Enquanto isso, no campo governista, o nome de Eduardo Pimentel começa a circular com mais consistência. Surge menos como aposta individual e mais como tentativa de recompor a base em torno de um nome que não provoque disputa interna. É visto como possibilidade de estabilização num ambiente ainda em reorganização.

O cenário vai se desenhando com mais clareza. De um lado, um campo mais alinhado, mas que ainda precisa provar sua capacidade de convivência interna. Do outro, um grupo que tenta reorganizar sua base antes de tomar decisões que vão definir o rumo da eleição.

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