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24/06/2026

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PERDEU PIÁ

Polícia Civil abre inquérito contra vereador de Curitiba por suposta atuação como policial

30/03/2026
da costa

A Polícia Civil do Paraná instaurou inquérito para investigar a atuação do vereador de Curitiba Gustavo Silveira da Costa, conhecido nas redes sociais pelo perfil “Perdeu Piá”, após pedido do Ministério Público do Paraná (MP-PR). A investigação busca apurar se o parlamentar teria exercido indevidamente funções típicas de atividade policial, participando de abordagens e prisões e utilizando essas ações para divulgação em redes sociais com possível repercussão política e financeira.

O procedimento foi aberto pelo 1º Distrito Policial da Capital, por meio de portaria assinada pelo delegado Ademair da Cruz Braga Junior, após o recebimento do Ofício nº 022/2026, encaminhado pela 1ª Promotoria de Prevenção e Persecução Criminal do Ministério Público do Paraná.

No documento, datado de 12 de março de 2026, o promotor de Justiça João Milton Salles requisita formalmente a abertura de investigação para apurar fatos que, segundo o Ministério Público, podem configurar irregularidades na atuação do vereador.

De acordo com o ofício encaminhado à Polícia Civil, o Ministério Público afirma ter tomado conhecimento de que o vereador, que também atua como influenciador digital, mantém canal no YouTube e perfis em redes sociais como Instagram, Facebook e TikTok sob a denominação “Perdeu Piá”, nos quais divulga vídeos relacionados a abordagens e prisões realizadas na região central de Curitiba.

Segundo o documento, o parlamentar “tem, em tese, exercido ostensivamente atividades de ‘policiamento’, realizado diligências e conduzido prisões em flagrante na região central de Curitiba, tendo, para tal, se valido da estrutura da Guarda Municipal de Curitiba”.

O Ministério Público também registra que há indícios de que o vereador teria exercido influência direta sobre integrantes da Guarda Municipal durante essas operações.

No ofício encaminhado à autoridade policial, o promotor afirma existir “indícios, inclusive, de exercício de comando sobre integrantes da Guarda Municipal por ocasião das operações realizadas sob sua provocação”, acrescentando que muitas dessas ações teriam sido registradas e posteriormente divulgadas nas redes sociais do parlamentar.

Ainda segundo o MP, a eventual atuação do vereador em operações dessa natureza exigiria análise tanto administrativa quanto criminal. O documento destaca que a legislação brasileira permite que qualquer cidadão efetue prisão em flagrante, mas ressalta que essa previsão legal não autoriza a condução de operações policiais ou a atuação ostensiva em atividades típicas de segurança pública.

No texto encaminhado à Polícia Civil, o promotor lembra que “a previsão legal do art. 301 do Código de Processo Penal, que legitima qualquer pessoa a efetuar prisões em flagrante, não confere a prerrogativa de atuação policial ostensiva”, acrescentando que o exercício da força na segurança pública é monopólio do Estado e deve obedecer à cadeia hierárquica das corporações policiais.

Com base nessas informações, a Polícia Civil decidiu instaurar formalmente inquérito para apurar possível crime de usurpação de função pública. Na portaria que abre o procedimento investigatório, o delegado responsável registra que o vereador teria agido “como policial desempenhando função que não lhe cabe, excedendo a exegese prevista em legislação pátria de forma a cometer crime de usurpação de função”.

O documento policial também menciona que as ações atribuídas ao vereador teriam sido amplamente divulgadas em redes sociais, o que, segundo a investigação, pode indicar eventual finalidade de promoção pessoal ou política.

A portaria afirma que o investigado teria publicado “vídeos dessas condutas, a fim de obter vantagem política e quiçá pecuniária diante de monetização das publicações”.

Para esclarecer os fatos, a Polícia Civil determinou uma série de diligências. Entre as medidas iniciais estão a intimação para oitiva de guardas municipais que teriam participado das ocorrências, além do próprio vereador investigado. Também foi determinada a coleta e juntada de arquivos de publicações existentes em plataformas digitais relacionadas às abordagens que teriam sido registradas, bem como outras que eventualmente venham a ser identificadas.

A investigação também prevê o envio de ofícios a plataformas digitais como Facebook, Instagram e YouTube, solicitando dados sobre o alcance das publicações e eventuais relatórios financeiros relacionados aos vídeos, incluindo informações sobre visualizações e monetização.

Além disso, a Polícia Civil determinou que a Câmara Municipal de Curitiba seja oficialmente informada sobre a instauração do inquérito para registro institucional e eventual adoção de providências administrativas.

Também será realizada consulta em sistemas policiais para verificar se existem outros episódios semelhantes envolvendo o vereador investigado, com eventual juntada de registros ou procedimentos relacionados.

O HOJEPR mantém o espaço aberto para considerações do vereador investigado.

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