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13/07/2026

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Pesquisa: Moro lidera, mas ainda nada sozinho na piscina

13/04/2026
moro

Em política, há euforia legítima e há euforia por falta de companhia. Nem sempre são a mesma coisa.

As três últimas pesquisas da Paraná Pesquisas, divulgadas em janeiro, março e nesta segunda-feira (13), colocam o senador Sergio Moro na liderança dos cenários estimulados para o governo do Paraná.

Isso é fato. Em janeiro, ele apareceu com 41,6%, 40,0% e 37,8% em três simulações; em março, com 44,0%, 40,1% e 47,0%; e agora, em abril, com 46,0%, 52,5%, 50,9% e 46,8%, a depender da composição do cenário.

Até aí, o quartel do ex-juiz pode comemorar, soltar gritinhos, dar pulinhos e disparar mensagens de Whatsapp para toda a militância. O problema é que uma leitura menos ansiosa dos números recomenda um pouco mais de compostura e um pouco menos de coreografia de vitória.

Começando por um detalhe curioso. Quando se olha para a pesquisa espontânea, aquela em que o eleitor responde sem receber lista de candidatos, Moro aparece com 10,7% das citações. O número chama a atenção por um motivo simples. O ex-juiz surge à frente do governador Ratinho Junior, que na mesma pesquisa tem mais de 80% de aprovação de governo.

A estranheza aumenta quando se lembram os levantamentos anteriores. Em janeiro e março, Moro aparecia na espontânea entre 4,5% e 5,9%, sempre atrás do próprio governador. Agora, de repente, salta para dois dígitos e ultrapassa justamente quem governa o estado com aprovação robusta.

Nada que desautorize a pesquisa. Mas é daqueles números que fazem qualquer observador levantar a sobrancelha antes de abrir o champanhe.

Outra razão para não sair soltando rojões é até mais simples. Não se sabe quem é o candidato que merecerá o apoio do governador Ratinho Junior, logo, o tabuleiro segue incompleto.

Ratinho Junior desistiu da corrida presidencial para permanecer no cargo até o fim do mandato. Uma das razões é justamente a vontade de eleger seu sucessor. Fora da disputa nacional, os aliados do governador passaram a tratar a eleição estadual como prioridade absoluta, amparados justamente no alto índice de aprovação do governo. Na pesquisa de março do próprio Paraná Pesquisas, a gestão Ratinho Junior é aprovada por 84,3%; em janeiro, por 85,5% e na deste mês bate em 83,8%.

Traduzindo do politiquês para o idioma corrente, por enquanto, Moro nada sozinho na piscina. E nadar sozinho, convenhamos, ajuda bastante no cronômetro.

Não há ainda um nome ungido, empunhado, carregado no colo e lançado oficialmente pelo governador para concentrar a força do grupo governista.

Enquanto esse personagem não surge com crachá, santinho, agenda, estrutura e benção explícita, Moro disputa contra hipóteses e rascunhos.

É aí que mora o detalhe que deveria esfriar o entusiasmo. Números de pesquisa sem o candidato mais competitivo do grupo do governo funcionando como candidato pleno são, por definição, números provisórios. Servem para mostrar liderança, mas não autorizam desfile em carro aberto.

Ainda mais num estado em que o governador termina o segundo mandato com aprovação alta e, segundo aliados ouvidos pela imprensa, deve percorrer o Paraná para transferir votos ao escolhido.

A segunda razão para guardar o foguetório está na própria anatomia dos cenários. Moro cresce, sim, mas cresce em simulações diferentes, com adversários diferentes e em contextos diferentes.

Em abril, por exemplo, ele marca 52,5% num cenário sem Rafael Greca e sem Alexandre Curi, mas fica em 46,0% num cenário com Greca e Requião Filho, e em 46,8% em outro cenário que volta a incluir Greca.

Ou seja, o desempenho melhora quando a piscina fica mais vazia. Nada ilegal, nada anormal, mas também nada que justifique tratar a eleição como missa de sétimo dia da concorrência.

A terceira razão atende pelo nome de rejeição, essa senhora antipática que costuma aparecer sem convite justamente quando o sujeito já está escolhendo o terno da posse.

Em janeiro, a rejeição de Moro era de 20,2%. Em março, caiu para 18,3%. Agora, em abril, voltou a subir para 21,7%. Não é uma tragédia eleitoral, claro. Mas também não é exatamente o retrato de uma candidatura que vai conquistando afetos na mesma velocidade com que sobe nas manchetes.

Aliás, esse é o ponto mais incômodo para quem anda ensaiando comemorações prematuras. O senador lidera, mas sua rejeição não desceu em linha reta; ela oscilou e terminou abril acima de janeiro.

Em português claro, a candidatura pode até estar forte, mas não parece empolgar o eleitorado na proporção em que empolga seus admiradores mais barulhentos.

Há liderança e musculatura, mas há teto à vista e resistência. E eleição com resistência relevante nunca foi passeio de domingo no parque.

Some-se a isso um detalhe que o eleitor costuma apreciar. A campanha de verdade ainda nem começou. Não houve ainda o peso completo da máquina política do grupo governista atrás de um só nome, nem o efeito de comparação mais dura entre um candidato consolidado e um sucessor apresentado como herdeiro de uma administração bem avaliada.

É cedo. Tão cedo que, por ora, a principal proeza de Moro talvez seja justamente a de liderar bem enquanto o adversário mais perigoso ainda não tem rosto definitivo.

Por isso, antes de estourar rojão, talvez fosse prudente consultar o calendário. Abril ainda é mês de pesquisa, não de apuração. E pesquisa, como aprendi depois de décadas observando a fauna eleitoral, é retrato, enquanto eleição é filme. Retrato congela. Filme muda. Às vezes entra personagem novo no segundo ato e o nadador que parecia sozinho na raia descobre, de repente, que a piscina ganhou água, juiz, plateia e adversário de verdade.

Então, sim, Moro lidera. Mas não dá para comemorar como quem já venceu. Porque, por enquanto, ele nada sozinho na piscina. E, na política, até braçada bonita perde o encanto quando finalmente chega alguém para dividir a água.

As pesquisas citadas estão registradas na Justiça Eleitoral: PR-08451/2026 (janeiro), PR-06254/2026 (março) e PR-06559/2026 (abril).

(Ilustração: IA)

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