A atuação da Aegea Saneamento voltou ao centro de uma nova crise institucional. Agora, o foco está no Rio Grande do Sul, onde a Assembleia Legislativa instalou uma comissão especial para investigar a prestação de serviços da companhia após uma sequência de denúncias envolvendo falta de água, cobranças consideradas abusivas, falhas operacionais, problemas em hidrômetros, interrupções no abastecimento e impactos ambientais em municípios atendidos pela empresa.
O caso ganha relevância nacional porque a Aegea já vinha sendo citada em delações e reportagens relacionadas a suspeitas de corrupção em concessões de saneamento no país. No Paraná, a empresa também possui forte presença por meio da Ambiental Paraná, braço responsável por contratos bilionários ligados às PPPs da Sanepar em dezenas de municípios.
A comissão instalada na Assembleia gaúcha terá 120 dias para fiscalizar contratos, investimentos, tarifas e a qualidade dos serviços prestados pela concessionária desde a privatização da Corsan. A iniciativa foi aprovada por unanimidade entre os deputados estaduais, sinalizando que o desgaste político e operacional da empresa ultrapassou o campo das reclamações isoladas e passou a ocupar espaço central no debate público do saneamento gaúcho.
Parlamentares do Rio Grande do Sul afirmam que o número de denúncias cresceu de forma significativa após a privatização da Corsan, concluída em 2023. Entre os problemas relatados estão interrupções frequentes no abastecimento, água com coloração alterada, obras problemáticas, transtornos urbanos e aumento de queixas relacionadas à cobrança de tarifas.
Crise operacional e pressão política aumentam no Sul
A crise envolvendo a Aegea no Rio Grande do Sul já mobiliza prefeituras, Procons, câmaras municipais e órgãos reguladores. Em diferentes cidades gaúchas, surgiram movimentos por CPIs locais, notificações administrativas e até ameaças de judicialização contra a concessionária.
Reportagens recentes apontam que municípios como Canoas, Gravataí, Viamão, Venâncio Aires e outras cidades passaram a acumular reclamações relacionadas ao serviço da Corsan/Aegea. Em alguns casos, consumidores relataram longos períodos sem água, cobranças contestadas e problemas estruturais decorrentes de obras executadas pela concessionária.
Além das críticas operacionais, cresce também a pressão política sobre os órgãos reguladores. Lideranças gaúchas passaram a questionar a capacidade de fiscalização do setor e o modelo de privatização adotado no saneamento estadual.
Outro ponto que ampliou a repercussão foi a associação da companhia a delações premiadas envolvendo concessões de água e esgoto no Brasil. Reportagem do UOL revelou que delações homologadas pelo STJ apontam supostos pagamentos de propina relacionados ao setor de saneamento, com menções à Aegea.
As denúncias provocaram abalo reputacional e passaram a ser utilizadas por entidades e movimentos contrários ao avanço de PPPs no saneamento em diferentes estados.
Paraná também observa avanço da empresa
No Paraná, a Aegea mantém presença estratégica por meio da Ambiental Paraná, empresa ligada ao grupo e responsável por contratos de esgotamento sanitário firmados com a Sanepar. A companhia atua em dezenas de municípios paranaenses e administra contratos de longo prazo que envolvem investimentos bilionários.
A expansão da empresa no estado já vinha sendo acompanhada com atenção após reportagens relacionarem a Aegea às delações e às turbulências financeiras enfrentadas recentemente pelo grupo.
Além das investigações e do desgaste operacional no Rio Grande do Sul, a companhia também enfrentou revisão contábil bilionária, rebaixamento de classificação de risco e questionamentos do mercado sobre sua saúde financeira e capacidade de sustentação dos contratos de infraestrutura assumidos nos últimos anos.



