A tradição se funde com a inovação. O Japão se aproxima dos vizinhos asiáticos e da vanguarda europeia. O frescor dos sushis e sashimis ganha a companhia do calor e do acolhimento dos pratos quentes. São esses os principais encontros promovidos pelo novo menu que o restaurante Ichigo Ichie acaba de lançar. A safra de novidades traz pratos na linha japonesa mais tradicional, voltada à bancada de sushi e sashimi, e também amplia as opções da cozinha quente, com toques contemporâneos.
O chef do Ichigo Ichie, Ronaldo Fogaça, conta desde março com um novo integrante na equipe: Guilherme Marques, que chegou com a missão de ampliar as opções de pratos quentes. O novo menu nasce sob a regência dos dois jovens, porém experientes profissionais, alinhando inspirações que vão das raízes japonesas à criatividade contemporânea, sempre conectadas ao rigor técnico e à excelência dos insumos que marcam o melhor da gastronomia japonesa.
Na cozinha fria, são três estreias assinadas por Ronaldo Fogaça. O Sashimi de Atum Selado vem acompanhado de molho cítrico, toque equilibrado de pimenta jalapeño, ovas de tobiko black e flor de sal (R$ 98). Já o Tartar de Wagyu traz o cobiçado corte bovino japonês, considerado um dos melhores do mundo, cortado em pequenos cubos. Eles são levemente selados com molho inglês, cebolinha e ovas de tobiko red. Para acompanhar, chips de folha de arroz com pimenta togarashi (R$ 120).
O Carpaccio de Hamachi completa o trio de lançamentos do sushi bar. É feito com o peixe também conhecido como yellowtail, ou rabo-amarelo, que chega ao Ichigo importado do Japão. Um dos pescados que faz mais sucesso na casa, ele é apresentado em finas fatias, com toque de cebolinha, jalapeño e molho cítrico (R$ 150).
Com esses lançamentos, entre outros que aparecem no omakase — o menu “confiança” ao estilo japonês —, Ronaldo Fogaça, aos 37 anos e com 12 de profissão, segue construindo sua sólida trajetória criativa. “O novo cardápio traz uma conversa bem interessante entre as raízes japonesas e o contemporâneo”, sintetiza o chef.
COZINHA QUENTE
À frente da cozinha quente do Ichigo, Guilherme Marques criou uma série de pratos que combinam com o friozinho do inverno em Curitiba e conectam os sabores japoneses, de forma orgânica e natural, a referências contemporâneas inspiradas em países asiáticos e também na tradição mediterrânea europeia. Com apenas 34 anos, Marques já soma 13 anos de profissão, sendo que os dois últimos foram vividos entre Portugal e Espanha, especialmente nas costas do Atlântico e do Mediterrâneo espanhol.
Fruto de suas andanças europeias, os pratos quentes que criou misturam diferentes heranças, vertentes e origens gastronômicas em um DNA autoral de primeira linha. Entre os destaques com ingredientes vindos do mar está a Merluza Negra. O peixe de águas profundas e geladas do Alaska é grelhado e servido com alho-poró confit e o clássico molho beurre blanc. Para finalizar, cogumelo enoki e ovas de salmão. O beurre blanc, ou “manteiga branca” em português, é um molho quente emulsionado da culinária francesa clássica, originário do Vale do Loire.
A versão da casa é uma releitura, que leva sakê, vinagre de arroz, manteiga, dashi e creme de leite fresco. Com uma textura aveludada, rica e cremosa, tem também uma acidez marcante, numa combinação perfeita para valorizar o nobre pescado. O prato individual custa R$ 189.
Já os ingredientes principais de outras duas criações do chef Guilherme Marques têm origens distintas. Uma delas vem de um dos grandes ícones gastronômicos paranaenses: a Barriga de Porco Moura. Essa raça suína, cultuada por chefs renomados devido ao sabor marcante e à textura macia, é um símbolo do Paraná, estado onde foi introduzida pelos europeus há séculos e que, recentemente, ganhou destaque na alta gastronomia. O corte é cozido em baixa temperatura e chega à mesa acompanhado de purê de maçã-verde com missô e uma pitada cítrica de conserva de daikon, o rabanete branco gigante que é ingrediente fundamental e onipresente na culinária asiática, especialmente na japonesa. O prato custa R$ 110.
Outra novidade que recria um clássico é o Steak Poivre. O tradicional mignon vem guarnecido por crispy de batata-doce roxa e, como principal diferencial, apresenta um molho poivre que explora os caminhos do sabor umami, com generosas pitadas de shiitake e kombu (alga marinha japonesa). Também custa R$ 110.
Como ressalta Guilherme Marques, o segmento de pratos quentes do menu cresceu e se alinhou à exuberância e à riqueza de detalhes da cozinha fria japonesa. “Isso é fruto de muito trabalho e das experimentações que realizamos com toda a equipe, além da sintonia que tenho com o chef Ronaldo”, completa. Ele relembra que já havia trabalhado com Fogaça em outro restaurante japonês de Curitiba, o Con. “Este reencontro está sendo muito fértil.”
SERVIÇO – ICHIGO ICHIE
Jantar: de segunda-feira a sábado, das 19h às 23h30.
Almoço: exclusivamente aos sábados, do meio-dia às 15h.
Endereço: Avenida Sete de Setembro, 5970 – Seminário, Curitiba – PR
Reservas pelo WhatsApp: (41) 9896-4928
Instagram: www.instagram.com/ichigocuritiba



