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13/06/2026

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Moro e o difícil exercício de ficar parado

10/06/2026
moro

Confesso que vou repetir uma coisa que venho dizendo há pelo menos dois meses. E não é porque eu gosto de me ouvir falar. É porque os números insistem em me dar razão.

A pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) pela Paraná Pesquisas mostra que o senador Sergio Moro continua estacionado na mesma faixa de intenção de votos em que está há bastante tempo: na casa dos 42%. Em maio, tinha 42,6%. Agora aparece com 42,3%. Ou seja, se mexeu, foi menos do que passageiro de ônibus procurando posição para dormir.

Enquanto isso, Sandro Alex segue crescendo. Na comparação com maio, saltou de 8,6% para 10,7%, registrando a maior alta entre os principais nomes testados.

E aqui mora o problema. Não o problema do eleitor. O problema da turma do senador.

Porque uma candidatura que está em campanha permanente há quase dois anos deveria estar crescendo, não administrando uma espécie de condomínio eleitoral onde ninguém entra e ninguém sai.

Claro que 42% é muita coisa. Qualquer candidato assinaria esse número com firma reconhecida em cartório. Mas política não é fotografia. É filme.

E o filme que aparece na tela hoje mostra um personagem parado enquanto os demais começam a se movimentar.

O cenário fica ainda mais delicado quando se observa um dado que deveria tirar o sono de qualquer estrategista: 66% dos entrevistados não sabem espontaneamente em quem votar para governador. É um oceano de eleitores ainda sem dono.

A pergunta que começa a ecoar pelos corredores do quartel-general moroísta é simples: o que Sergio Moro vai apresentar para conquistar esse contingente?

Qual será a novidade? Qual será o discurso? Qual será a entrega?

Porque, gostem ou não seus admiradores, o senador chega perto de quatro anos de mandato sem conseguir apontar um grande projeto transformador aprovado, uma bandeira relevante que tenha dominado o debate estadual ou nacional, ou uma marca legislativa capaz de entusiasmar novos eleitores.

E aí aparece outro complicador.

Durante muito tempo Moro teve um ativo político poderosíssimo: o combate à corrupção.

Era seu CPF eleitoral. Seu RG político. Seu sobrenome.

Mas a política tem dessas ironias que fariam até roteirista de novela mexicana pedir mais moderação.

Nos últimos dois meses, o ex-juiz se aproximou de personagens e grupos que, em outros tempos, estavam do lado oposto da trincheira que ele ocupava. Personagens que receberam duras críticas de Moro. Um deles, o presidente do seu partido, recebeu bem mais que críticas. Foi alvo de um pedido de prisão com a ajuda do próprio Moro. Para parte do eleitorado, isso diluiu justamente o discurso que o diferenciava dos demais.

Traduzindo para o português claro, o produto perdeu exclusividade. E quando o produto perde exclusividade, o consumidor começa a pesquisar concorrentes.

Por isso o sinal amarelo está aceso. Não porque Moro esteja perdendo. Mas porque não está ganhando. E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.

A situação se torna mais desconfortável quando se observa o relógio. A campanha oficial ainda nem começou. O governador Ratinho Junior apresentou seu candidato há pouco mais de um mês e ele já mostra crescimento nas pesquisas.

Enquanto Sandro Alex sobe a escada, Moro parece sentado no patamar. Talvez confortável. Quem sabe preocupado. Talvez até fingindo que não percebeu.

Na política, porém, existe uma regra tão antiga quanto cruel. Quem para de crescer começa a discutir como não encolher.

E, neste momento, a grande missão do senador talvez já não seja apenas conquistar novos eleitores. Talvez seja garantir que os atuais continuem onde estão.

Porque teto eleitoral é uma coisa curiosa. Primeiro ele parece uma cobertura de luxo. Depois você descobre que era apenas o último andar do prédio.

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