ANO IV

13/06/2026

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Brasil disputa primeira Copa sob comando estrangeiro; relembre os técnicos em Mundiais

13/06/2026

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Ao entrar em campo para enfrentar o Marrocos, às 19 horas (de Brasília) deste sábado, o Brasil disputará pela primeira vez um jogo de Copa do Mundo sob o comando de um treinador estrangeiro. De contrato renovado para o ciclo da Copa de 2030, o italiano Carlo Ancelotti tem em suas mãos a responsabilidade de devolver o entusiasmo a uma seleção pentacampeã que vive um jejum de 24 anos sem título mundial.

Ancelotti faz parte uma lista bem curta de estrangeiros que dirigiram o futebol masculino do Brasil. Os outros que passaram não tiveram, contudo, a oportunidade de dirigir a seleção em uma Copa. Antes dele, o uruguaio Ramón Platero, o português Joreca e o argentino Filpo Núñez foram os nomes de fora do País que estiveram no cargo.

O último deles foi Núñez, há 60 anos, em 1965, inserido em um contexto muito específico. Na época, ele era treinador do Palmeiras, que, devido à força de seu elenco, foi escolhido para representar a seleção brasileira em duelo com o Uruguai, no jogo de inauguração do Mineirão.

Ou seja, o argentino comandou seus atletas palmeirenses vestidos com a camisa do Brasil. Ao fim da partida, vitória brasileira por 3 a 0, com gols de Rinaldo, Tupãzinho e Germano. Em 1969, Núñez se naturalizou brasileiro.

Também dirigiu a seleção o português Jorge Gomes de Lima, Joreca, em 1944, porém dividia a função com o brasileiro Flávio Costa, conhecido principalmente por seu trabalho no futebol carioca. A parceria durou apenas dois jogos contra o Uruguai, ambos vencidos pelo Brasil – por 6 a 1 e 4 a 0. Em 1945, Costa passou a comandar a equipe sozinho.

Já o primeiro estrangeiro de todos foi o uruguaio Ramón Platero, que também já treinou a seleção do próprio país. Ele fez sucesso treinando o Vasco, por isso treinou a seleção no Sul-Americano de 1925.

O torneio foi disputado em turno e returno, com a participação de Brasil, Argentina e Paraguai. Os brasileiros venceram os dois jogos contra os uruguaios, mas perderam por 4 a 1 e empataram por 2 a 2 nos duelos com os argentinos, que acabaram o campeonato como campeões.

Fora esses pequenos períodos sob o comando de estrangeiros, a seleção sempre foi comandada por treinadores do País. Quando o assunto é Copa do Mundo, nunca um estrangeiro chegou ao ponto que Ancelotti atingiu. Relembre os treinadores que conduziram o Brasil em Copas do Mundo:

1930 – Píndaro de Carvalho Rodrigues

Na primeira participação do Brasil em Copas do Mundo, Píndaro de Carvalho Rodrigues liderou uma seleção marcada por conflitos entre dirigentes e federações estaduais, especialmente entre Rio de Janeiro e São Paulo. A equipe chegou ao Uruguai sem força máxima e teve desempenho modesto, sendo eliminada ainda na fase inicial após derrota para a Iugoslávia e vitória sobre a Bolívia.

1934 – Luís Augusto Vinhaes

Luís Vinhaes comandou o Brasil na Copa do Mundo de 1934, disputada na Itália, em um formato eliminatório desde a primeira partida. A seleção enfrentou Espanha logo na estreia e foi derrotada por 3 a 1, sendo eliminada imediatamente. Seu trabalho ocorreu em um período de transição e profissionalização do futebol brasileiro, mas a curta participação impediu uma avaliação mais ampla do desenvolvimento da equipe.

1938 – Adhemar Pimenta

Adhemar Pimenta foi responsável por uma das campanhas mais importantes do Brasil nos primeiros Mundiais. Na Copa de 1938, na França, montou uma equipe ofensiva liderada por Leônidas da Silva, que encantou o público com seu futebol criativo. O Brasil alcançou o terceiro lugar após vencer a Suécia, registrando seu melhor resultado em Copas até aquele momento. O trabalho de Pimenta ajudou a consolidar a reputação internacional da seleção.

1950 – Flávio Costa

flavio costa

Flávio Costa dirigiu a seleção brasileira na Copa de 1950, realizada no Brasil, e montou uma equipe considerada uma das mais talentosas da época. Utilizando seu sistema tático conhecido como “Diagonal”, conduziu o time a vitórias expressivas durante a competição. A inesperada derrota para o Uruguai na partida decisiva do quadrangular final, episódio conhecido como “Maracanazo”, fez a campanha terminar de forma trágica.

1954 – Zezé Moreira

Zezé Moreira assumiu a seleção para a Copa de 1954, na Suíça, e busca de reconstruir a confiança do futebol brasileiro após a frustração de 1950. O Brasil apresentou um futebol competitivo e avançou à fase de quartas de final, mas foi eliminado pela poderosa Hungria em uma partida extremamente violenta que ficou conhecida como “Batalha de Berna”.

1958 – Vicente Feola (Campeão)

Técnico do primeiro título mundial, em 1958, Feola abre a lista dos maiores treinadores da história da seleção brasileira. Comandou o Brasil em duas passagens: a primeira, entre 1958 e 1960, rendeu o título na Suécia.

Feola foi o responsável por lançar Garrincha e Pelé na Copa do Mundo de 1958, dupla que nunca perdeu uma partida juntos pela seleção brasileira. Soma 66 jogos à frente do Brasil, com 50 vitórias, 11 empates e apenas cinco derrotas. Também soma a conquista da Copa Roca, torneio disputado contra a Argentina e que se tornou o Superclássico das Américas, em seu currículo.

1962 – Aymoré Moreira (Campeão)

Entre dois trabalhos de Feola, a seleção brasileira contou com os serviços de Aymoré Moreira, que conseguiu levar o Brasil ao bicampeonato mundial no Chile. O treinador ainda precisou lidar com a ausência de Pelé, por lesão, e viu Garrincha brilhar para levar a seleção ao título.

Por clubes, o treinador ainda teve passagens pela Grécia e Portugal, em um período no qual isso não era usual para treinadores brasileiros – e que ainda tem dificuldades para se colocar no mercado europeu. Assim como seu antecessor, levou a seleção à conquista da Copa Roca. Morreu em 1998, logo após a decisão da Copa do Mundo de 1998.

1966 – Vicente Feola

A segunda passagem de Feola pela seleção, já sem o mesmo brilho da primeira, encerrou-se logo após a eliminação na fase de grupos na Copa do Mundo da Inglaterra. Ele era criticado pela imprensa esportiva e acusado de dormir durante os jogos, mas era amigo dos jogadores.

1970 (campeão) e 1974 – Zagallo

Zagallo, o Velho Lobo, é a seleção brasileira. Dos cinco títulos mundiais, ele esteve presente em quatro. Como jogador, em 1958 e 1962, como treinador, em 1970, e na comissão técnica, em 1994. Na campanha do tri, substituiu João Saldanha poucos meses antes do início da Copa e fez funcionar a lendária equipe com Pelé, Jairzinho, Gérson, Tostão e Rivellino.

Na Copa seguinte, comandou uma seleção em processo de renovação após o tricampeonato e a aposentadoria de Pelé. Mantendo uma base com jogadores experientes como Jairzinho e Rivelino, Zagallo enfrentou dificuldades para encontrar o equilíbrio ofensivo da equipe. O Brasil avançou da primeira fase e venceu Alemanha Oriental e Argentina na fase seguinte, mas foi derrotado pela Holanda de “futebol total” e depois pela Polônia na disputa do terceiro lugar, terminando a competição em quarto lugar.

1978 – Cláudio Coutinho

Cláudio Coutinho comandou, na Argentina, uma seleção em processo de renovação e introduziu conceitos modernos de preparação física e organização tática. Com uma equipe equilibrada e disciplinada, o Brasil terminou o torneio invicto – quatro vitórias e três empates. Apesar da boa campanha, foi foi prejudicado pelo saldo de gols e pela controversa goleada da Argentina sobre o Peru, que garantiu aos anfitriões a vaga na final. Encerrou a competição em terceiro lugar após vencer a Itália, por isso a sensação de que poderia ter alcançado resultado ainda melhor.

1982 e 1986 – Telê Santana

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Telê Santana comandou uma das seleções brasileiras mais admiradas da história, marcada por um futebol ofensivo, técnico e criativo, na Copa da Espanha. Com jogadores como Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, o Brasil encantou o mundo com seu estilo de jogo, até ser eliminado pela Itália na decisiva partida da segunda fase, apesar de apresentar um futebol considerado superior por muitos analistas.

No México, Telê teve uma nova oportunidade de levar o Brasil ao título mundial. A equipe manteve a proposta ofensiva e de posse de bola, contando novamente com talentos como Zico, Sócrates e Júnior, embora muitos jogadores já estivessem em fase mais avançada da carreira. O Brasil fez uma campanha sólida, chegando invicto às quartas de final, mas acabou eliminado pela França, nos pênaltis. Mesmo sem vencer uma Copa, Telê é reconhecido como um dos maiores treinadores da história

1990 – Sebastião Lazaroni

 

Um dos técnicos mais criticados da história da seleção brasileira, Sebastião Lazaroni promoveu uma mudança significativa no estilo de jogo adotar esquemas táticos mais modernos e defensivos, inspirados no futebol europeu da época. Utilizava um sistema com três zagueiros e valorizava a organização tática, Lazaroni buscou tornar a equipe mais equilibrada, mas o desempenho ofensivo foi frequentemente criticado. O Brasil acabou eliminado nas oitavas de final, para a Argentina.

1994 – Carlos Alberto Parreira (Campeão)

 

Parreira é um dos grandes nomes da história da seleção brasileira – não só como treinador. Desde 1970, ainda como preparador físico, está presente nas conquistas brasileiras.

Assumiu como treinador principal pela primeira vez 1983, sucedendo Telê Santana, mas não resistiu mais de 200 dias no cargo. Brilhou a partir de 1991, quando comandou a equipe para o Mundial dos Estados Unidos. Com Bebeto e Romário, Parreira encerrou o jejum de 24 anos da seleção em Mundiais e conquistou o tetra.

1998 – Zagallo

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De volta ao comando da seleção, o Velho Lobo comandou uma seleção brasileira que chegou à competição como atual campeã mundial e favorita ao título. O grupo de nomes como Ronaldo, Rivaldo, Bebeto e Roberto Carlos, Zagallo superou adversários como Dinamarca e Holanda, esta última nos pênaltis na semifinal. A equipe, contudo, foi derrotada por 3 a 0 pela França na decisão, em uma partida marcada pela crise envolvendo Ronaldo horas antes do jogo.

2002 – Felipão (Campeão)

Felipão levou o Brasil a um título inesperado na Copa do Mundo de 2002. Com a “Família Scolari”, uniu os jogadores, que penaram em se classificar ao Mundial, e conseguiu recuperar Ronaldo Fenômeno, que perdeu todo o ano de 2001 por lesão no joelho. Na prática, Felipão teve uma primeira passagem curta, deixando a seleção logo após o pentacampeonato mundial.

2006 – Carlos Alberto Parreira

O tetracampeão voltou ao comando técnico em 2003, para preparar o Brasil para o Mundial da Alemanha, e conquistou uma Copa das Confederações. Tinha um dos grupos mais talentosos da história em mãos, com nomes como Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Adriano Imperador, porém não conseguiu extrair o melhor desses astros e acabou eliminado para a França de Henry e Zidane nas quartas de final.

2010 – Dunga

Dunga comandou, na África do Sul uma seleção baseada na disciplina tática, na solidez defensiva e na eficiência dos contra-ataques.. A equipe fez uma campanha segura na fase de grupos, porém acabou derrotada pela Holanda por 2 a 1 nas quartas de final após perder o controle da partida no segundo tempo. Ao longo de seu ciclo, Dunga manteve uma relação frequentemente conturbada com a imprensa, marcada por críticas mútuas, entrevistas tensas e divergências sobre convocações e estilo de jogo.

2014 – Felipão

O nome do treinador pentacampeão voltou a ser cotado pela CBF para o Mundial de 2014. Assumiu em 2013 e levou a seleção ao título da Copa das Confederações, mas ficou marcado pelo 7 a 1 na semifinal da Copa, no Mineirão. Por clubes, tem como trabalho mais marcante aquele pelo Palmeiras, no qual conquistou a primeira Libertadores do time, em 1999.

2018 e 2022 – Tite

Tite chegou à Rússia respaldado por uma campanha quase impecável nas Eliminatórias, período durante o qual recuperou a seleção após a crise vivida entre 2014 e 2016. O Brasil apresentou uma equipe organizada taticamente, com destaque para jogadores como Neymar, Philippe Coutinho e Casemiro. A derrota por 2 a 1 para a Bélgica encerrou a campanha e gerou questionamentos sobre a capacidade da equipe de transformar o domínio estatístico e os bons resultados do ciclo em sucesso nos momentos decisivos.

Ainda assim, o desempenho anterior foi considerado suficientemente sólido para garantir a permanência do treinador no cargo. Em 2022, Tite comandou uma seleção apontada por muitos como uma das favoritas ao título, após encerrar as Eliminatórias invicta e com recorde de pontos. A equipe mostrou grande potencial ofensivo, especialmente na goleada sobre a Coreia do Sul nas oitavas de final. A campanha, contudo, terminou novamente nas quartas de final, desta vez diante da Croácia, em eliminação nos pênaltis após empate na prorrogação.

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