A segunda-feira foi curiosa na política paranaense. De um lado, assessores, aliados e até o marqueteiro do senador Sergio Moro (PL) passaram o dia tentando desqualificar a pesquisa do IRG que aponta empate técnico em um eventual segundo turno disputado entre o ex-juiz e o deputado federal Sandro Alex (PSD). O levantamento era ruim, a metodologia era questionável, os números não mereciam confiança, enfim, nos bastidores e nas redes sociais era isso que essa turma pregava. De outro lado, no entanto, o PL acionava a Justiça Eleitoral para tentar impedir a divulgação da mesma pesquisa.
Santa contradição, diria o parceiro daquele super-herói. Se a pesquisa era tão ruim assim, por que tanto esforço para tirá-la de circulação? Afinal, levantamento sem credibilidade costuma morrer sozinho. Não precisa de liminar, advogado ou petição. Se os números estavam errados, bastava esperar que a própria realidade se encarregasse de desmenti-los. Mas não foi o que aconteceu. O partido do senador tentou barrar a divulgação do levantamento. Não conseguiu. A Justiça rejeitou o pedido e a pesquisa foi publicada.
O PL alegou problemas no questionário e questionou os critérios adotados pelo instituto. O pedido acabou rejeitado pela juíza eleitoral Adriana de Lourdes Simette, que não encontrou elementos suficientes para impedir a divulgação da pesquisa.
Nos corredores da política paranaense, a interpretação foi imediata: talvez o problema não fosse a pesquisa em si, mas aquilo que ela mostrou. O levantamento apontou crescimento de Sandro Alex quando seu nome aparece associado ao apoio do governador Ratinho Junior. E justamente esse cenário parece ter provocado desconforto no grupo que hoje lidera as intenções de voto.
Aí surge uma pergunta que certamente continuará circulando nos bastidores da sucessão estadual. O que exatamente causou tanto incômodo? O apoio do governador a Sandro Alex ou o apoio que ele, Moro, recebe de Flavio Bolsonaro, o amigo de fé irmão camarada do banqueiro envolvido em escândalos de corrupção Daniel Vorcaro?
Não sabemos mas, no fim das contas, o episódio produziu um efeito curioso. Quem talvez não fosse prestar atenção na pesquisa passou a prestar. Quem não conhecia os números foi atrás deles. E quem dizia que o levantamento não tinha importância acabou ajudando a transformá-lo no principal assunto político do dia.
Na política, quase sempre vale uma máxima simples: ninguém tenta esconder aquilo que considera irrelevante.
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