O planejamento sucessório tem se tornado mais comum entre famílias de classe média no Brasil, deixando de ser uma prática restrita a grandes patrimônios. A busca por organização de bens em vida cresce diante da preocupação com segurança financeira, prevenção de conflitos familiares e possíveis mudanças na tributação de heranças.
Dados do Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF) mostram que o país registrou 38.740 testamentos em 2025, o maior número da série histórica, com alta de 1,7% em relação ao ano anterior. No Paraná, o avanço foi ainda mais expressivo, com crescimento de 37,7% em cinco anos, chegando a 3.489 registros.
Além dos testamentos, aumentam também as procura por holdings familiares, seguros de vida e outras ferramentas de organização patrimonial. Especialistas apontam que fatores como maior longevidade, crescimento do empreendedorismo e digitalização de serviços cartoriais ajudam a explicar a expansão desse tipo de planejamento no país.
Philippe Enke Mathieu, CEO da GFX – Inteligência Financeira, aponta 7 tendências que favorecem o crescimento do planejamento sucessório:
1. Holdings familiares mais acessíveis
Antes concentradas em grandes patrimônios, as holdings passaram a ser utilizadas também por famílias com imóveis, pequenas empresas e investimentos financeiros. A estrutura facilita a administração dos bens, ajuda na sucessão e pode reduzir burocracias futuras.
2. Aumento dos testamentos
O crescimento recorde de testamentos mostra uma mudança cultural importante no país. Cada vez mais brasileiros buscam definir previamente a divisão patrimonial para evitar disputas judiciais e garantir que suas vontades sejam respeitadas.
3. Receio de mudanças tributárias
As discussões sobre possível aumento do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) fizeram muitas famílias anteciparem processos sucessórios. O tema ganhou força especialmente após debates ligados à reforma tributária.
4. Crescimento das empresas familiares
Pequenas e médias empresas passaram a discutir sucessão de forma mais estratégica. A preocupação envolve continuidade do negócio, preparação de herdeiros e redução de conflitos societários no futuro.
5. Popularização da educação financeira
O maior acesso à informação sobre investimentos, patrimônio e organização financeira aproximou a classe média do planejamento sucessório. “O tema deixou de ser visto como algo distante da realidade da maioria das famílias”, lembra o especialista.
6. Inclusão dos ativos digitais
Criptomoedas, contas digitais, investimentos online e patrimônio virtual passaram a integrar o planejamento sucessório. Sem organização prévia, muitos desses ativos podem ser perdidos ou inacessíveis para os herdeiros.
7. Crescimento dos inventários extrajudiciais
A possibilidade de resolver inventários diretamente em cartório tornou o processo mais rápido e menos burocrático. Isso ajudou a ampliar a procura por soluções preventivas e organização patrimonial em vida.
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