O Brasil conquistou o tricampeonato mundial em 1970, mas a lembrança mais marcante daquela Copa, para o colunista Luís Mário Luchetta não nasceu de um gol de Pelé nem da festa da Seleção. Ela começou em uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul, durante uma simples entrega de leite que tomou um rumo completamente inesperado.
A Copa de 1970 é inesquecível. Eu tinha 9 anos, morava num sítio colado à cidade de Marcelino Ramos (RS).
Meu pai era comerciante e minha mãe cuidava da produção de leite. Umas 12 vacas leiteiras.
Caçula entre nove filhos, eu era assistente direto da minha mãe.
Desde os 5 anos, entre minhas obrigações estava a entrega de leite duas vezes por dia, montado na minha égua branca.
No dia da final de 1970, eu tinha 48 litros de leite, em garrafas de vidro, para entregar. Tudo em cima da égua Diana.
Às cinco da tarde, com o resultado da final, a cidade enlouqueceu. Buzinaço, foguetório, jipes, DKWs e fuscas buzinando na rua.
Minha égua se assustou, corcoveou, me jogou no chão e disparou, fazendo com que todas as garrafas se quebrassem.
Voltei pra casa a pé, chorando. Os clientes ficaram sem leite e eu fiquei com uma lembrança inesquecível até hoje. Mais forte que qualquer gol do Pelé.
Aprendizado duro, mas inspirador, que falta a muitas crianças de hoje em dia.




1 comentário em “A Copa que terminou sem leite”
Obrigada por compartilhar essa lembrança de infância!