Um dia, há muito tempo atrás, ouvi um depoimento de um marido que havia recém enterrado sua esposa, numa morte precoce. Junto à ela no caixão, ele havia depositado uma linda caixinha com uma lingerie envolta em um papel de seda, intocada, com a etiqueta ainda por ser retirada, dizia ele que aquela linda lingerie ela guardava para usar com ele numa ocasião especial. Não houve tempo, por isso seria enterrada com ela, como seriam enterrados também todos os seus sonhos ,todos os projetos não executados, todas as vontades que por diversas razões, não foram atendidas.
A tristeza que segue uma morte inesperada pode ser comparada ao tamanho da frustração de tudo aquilo que poderia ter sido vivido e não foi. Principalmente, tudo o que era factível e não foi feito por falta de tempo, ou por espera-se por uma ocasião especial, por um melhor momento e daí vem o inesperado, a morte.
A vida é o nosso mais belo presente concedido pelo universo. O quanto dessa vida realmente vivemos na plenitude? O quanto dessa vida apenas mudamos o dia no calendário? Na acorreria de nossos dias, muitas vezes, não nos preocupamos em dizer para as pessoas que nos cercam o quanto elas são especiais. Esquecemos de dar um telefonema àquele velho amigo que de repente perdemos o contato.
A reflexão aqui poderia ser muito mais ampla, porém vamos manter o foco apenas nas coisas que deixamos para uma ocasião especial. Perfume caro é para ser usado apenas em festa?? Será que o nariz das pessoas do dia a dia não é tão bom e sensível quanto o das pessoas que encontramos em festa ??”Algum dia” e “um dias desses”, estão sendo abandonados por mim. Ou vivo o que propago, ou vivo na hipocrisia do” faça o que eu falo…” Devemos tentar não adiar mais os projetos de viagens que tanto desejamos. Parar de guardar algumas roupas apenas para “ocasiões especiais”. Enfim, tentar ver em cada dia a beleza e singeleza que ele carrega e as oportunidades únicas que com ele vem. Tentar compensar isso amanhã pode ser o nosso maior engano. O nosso maior desperdício de tempo, de vida…
Leia outras colunas do Edmilson Fabbri aqui.



