Para o jornalista João Zisman, da coluna O Estado das Coisas, duas cobranças de falta entraram definitivamente para a história das Copas do Mundo. O gol de Nelinho, em 1978, e a bomba de Branco, em 1994, marcaram momentos distintos da Seleção Brasileira, mas acabaram unidos por uma lembrança profundamente pessoal. Entre uma curva e outra da bola, nasceu sua filha Maria, transformando dois lances inesquecíveis em uma memória que atravessa gerações.
Quando me perguntam sobre Copas inesquecíveis, duas vêm imediatamente à cabeça.
A primeira é a de 1978. O Brasil não foi campeão, saiu invicto e a gente inventou a história dos “campeões morais”. Mas o que ficou para sempre na minha memória foi o gol de Nelinho contra a Itália. Até hoje, é o gol mais bonito que já vi. Um chute que fez uma curva que ninguém explica para vencer Dino Zoff, talvez o maior goleiro italiano de todos os tempos.
A segunda lembrança veio dezesseis anos depois. Era 9 de julho de 1994. Brasil e Holanda, quartas de final da Copa do Mundo. Eu assistia ao jogo na maternidade. Maria tinha acabado de nascer.
Foram dois momentos mágicos ao mesmo tempo.
O Brasil vencia por 2 a 0, a Holanda buscou o empate e o jogo ficou perigosíssimo. Aos 36 minutos do segundo tempo, Branco cobrou uma falta com força e precisão. A bola fez outra curva extraordinária. Romário precisou se contorcer para não ser atingido. Gol. O gol da classificação. O gol da redenção de um jogador que havia voltado ao time depois da expulsão de Leonardo contra os Estados Unidos e de um longo período de recuperação física. Branco desabou em lágrimas.
Até hoje, quando penso em Copa do Mundo, lembro dessas duas imagens: a curva impossível do chute de Nelinho e a curva salvadora da falta do Branco. Entre uma e outra, nasceu Maria.
Duas curvas, uma filha e duas Copas que nunca saíram da minha memória.



