Sergio Viralobos volta a 1970 para reviver as emoções do primeiro Mundial que acompanhou pela televisão, aos 11 anos. Entre os craques da histórica Seleção tricampeã, foi o volante Clodoaldo quem conquistou sua admiração definitiva, tornando-se o protagonista de uma lembrança que permanece viva mais de cinco décadas depois.
Na Copa de 70 eu tinha 11 anos, aquela idade que os garotos sabem tudo de futebol. Morava numa vila de famílias de militares na pequena cidade de Itu (SP) e via, pela TV preto e branco, uma Copa do Mundo pela primeira vez. Por sorte, meu time seria considerado o maior de todos os tempos pela grande maioria dos amantes do futebol. Lembro em detalhes de todas as partidas e foi um prazer revê-las na série que a Netflix está apresentando sobre a Copa de 70. Um parêntesis para aplaudir a grande atuação de Rodrigo Santoro como o imprescindível João Saldanha.
O momento mais importante daquela jornada foi, para mim, a partida da semifinal contra o Uruguai. Havia um medo de que a história se repetisse e o Brasil desse um novo vexame, como na final da Copa de 50, em que perdemos a final no Maracanã justamente para os uruguaios. Para piorar a situação, nosso goleiro Félix leva um frango num dos poucos chutes que chegaram à sua meta. O primeiro tempo estava chegando ao fim, com nossa angústia no grau máximo, quando Tostão dá uma assistência magistral para o volante Clodoaldo, que faz um golaço, conforme se vê na ilustração desta matéria. O lance foi um dos mais emblemáticos de sua carreira, mostrando seu protagonismo em momentos cruciais.
Neste momento, todo mundo saiu correndo das casas da vila onde eu morava para um abraço coletivo, de homens, mulheres e crianças, no meio da rua. Havia a sensação generalizada que tínhamos acabado de ganhar a Copa. E foi o que aconteceu no segundo tempo contra o Uruguai e na final contra a Itália. Duas aulas de se jogar futebol espetáculo.
Num time de craques como Pelé, Rivelino, Jairzinho, Tostão e Gerson, meu maior herói foi o humilde Clodoaldo, nascido em 25 de setembro de 1949, em Aracaju, Sergipe. Ele começou sua carreira no Santos Futebol Clube, onde disputou mais de 500 jogos, rapidamente se destacando como volante, demonstrando técnica refinada, visão de jogo e uma capacidade rara de marcar e apoiar o ataque.
Na final contra a Itália, Clodoaldo protagonizou outra jogada antológica: driblou quatro adversários no meio-campo, iniciando a sequência que culminou no lendário gol de Carlos Alberto Torres, considerado até hoje um dos mais bonitos da história das Copas. Clodoaldo, apelidado de Corró, foi frequentemente citado por ex-companheiros como Pelé e Carlos Alberto Torres como um dos jogadores mais inteligentes com quem atuaram. Concordo plenamente.



