ANO IV

25/06/2026

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Parnanguaras: a nova tribo descoberta por Moro

25/06/2026
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Meus caros leitores, hoje a minha veia sarcástica não precisou de muito esforço para bombear o puro suco da ironia. A política paranaense, sempre generosa quando o assunto é produzir cenas tragicômicas, nos presenteou com mais uma pérola para a coleção de gafes do senador Sérgio Moro. O homem que já foi tratado como o grande paladino da Justiça resolveu, desta vez, dar uma aula de antropologia e geografia regional.

Circula pelas redes sociais um vídeo que mistura humor e constrangimento em doses quase iguais. Nele, uma jornalista pergunta ao senador sobre o Porto de Paranaguá, o segundo maior porto do Brasil, e sua relação com os parnanguaras.

Para qualquer pessoa que tenha passado pelas aulas de geografia do ensino fundamental, “parnanguara” é simplesmente o gentílico de quem nasce em Paranaguá. É básico. Mas não para o nosso ilustre senador.

Ao ouvir a palavra, Moro parece hesitar por alguns segundos. Os olhos procuram uma resposta no vazio e, num lampejo de criatividade involuntária, ele dispara:

“Parnanguaras… a população indígena de lá?”

Sim, meus amigos. Segundo essa interpretação, os mais de 150 mil moradores de Paranaguá deixaram de ser cidadãos do litoral paranaense para se transformar em uma enorme comunidade indígena vivendo às margens do porto.

A jornalista, visivelmente surpresa, acompanha a linha de raciocínio do senador. E Moro segue adiante, agora desenvolvendo uma reflexão sobre crescimento econômico e preservação dos direitos indígenas:

“Tem que preservar os direitos da população indígena, mas preservar esses direitos não deve ser um empecilho também ao crescimento econômico.”

O curioso é que todo o raciocínio foi construído sobre uma premissa que simplesmente não existia. A pergunta nunca foi sobre povos indígenas. Era apenas sobre os parnanguaras, os moradores de Paranaguá. Em poucos segundos, surgiu uma discussão completa sobre sustentabilidade, desenvolvimento portuário e direitos indígenas baseada numa confusão com um simples gentílico.

Convenhamos, Paranaguá não merecia esse tratamento. A mais antiga cidade do Paraná, berço da nossa história, dona de um patrimônio cultural riquíssimo e de um porto estratégico para a economia brasileira, acabou reduzida, por puro desconhecimento, a uma fictícia questão antropológica.

Imaginem a surpresa do cidadão parnanguara que acorda cedo para trabalhar no porto e descobre, pelas palavras de seu representante no Senado, que afinal pertence a uma tribo que ele próprio desconhecia.

O mais preocupante não foi a confusão em si. Qualquer pessoa pode errar. O problema foi seguir desenvolvendo toda uma resposta sem, em nenhum momento, admitir a possibilidade de que simplesmente não soubesse do que se tratava.

Se essa moda pega, daqui a pouco alguém perguntará sobre os ponta-grossenses e o senador concluirá que se trata de uma comunidade de gigantes. Ou talvez imagine que os maringaenses sejam uma espécie rara de ave migratória.

Fica aqui o meu abraço ao povo parnanguara, que continua trabalhando, movimentando um dos maiores portos do país e escrevendo diariamente a história do litoral paranaense. Enquanto isso, seu senador segue navegando por mares onde a geografia e o dicionário parecem obedecer a regras muito particulares.

Alô, Paranaguá! Pelo visto, além do porto, vocês agora ganharam também uma inesperada reserva indígena, ao menos na imaginação de quem deveria conhecer um pouco melhor o Estado que representa. Então, preparem o cocar porque, com Moro governador, o desenvolvimento está chegando!

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