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01/07/2026

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Quem ganha com a reprovação do teste de direção do Detran?

30/06/2026
detran

O exame prático de direção existe para identificar quem está apto, e quem ainda não está, a conduzir um veículo com segurança. Até aí, não há discussão. A dúvida surge quando candidatos começam a relatar reprovações que consideram desproporcionais e descobrem que uma nova tentativa pode custar mais de R$ 500 nas autoescolas, embora a taxa oficial cobrada pelo Detran-PR para o reteste seja inferior a R$ 40.

É justamente nessa combinação, entre critérios de avaliação que despertam questionamentos e o elevado custo da reprovação, que reside o problema.

Não cabe a esta coluna afirmar que uma ou outra reprovação tenha sido correta ou incorreta sem conhecer integralmente cada caso. Tampouco seria responsável transformar relatos individuais em conclusões sobre o trabalho dos examinadores do Detran-PR.

Mas quando diferentes candidatos passam a descrever situações que lhes parecem marcadas por excesso de rigor ou falta de razoabilidade, e todas elas resultam em despesas expressivas para uma nova tentativa, o assunto deixa de ser apenas uma experiência individual e passa a merecer reflexão. Estariam os examinadores do Detran-PR preparados e qualificados para aplicar esses testes?

Nas últimas semanas, a coluna recebeu diversos relatos de candidatos que questionam a forma como alguns exames práticos de direção vêm sendo conduzidos no Paraná. Os casos são diferentes entre si, mas guardam uma característica em comum: a sensação de que determinadas reprovações decorreram menos da incapacidade de dirigir e mais de interpretações extremamente rigorosas de situações que comportariam avaliação diferente.

O candidato não pode sair de casa torcendo para encontrar um examinador mais compreensivo ou mais rigoroso pois, quando a impressão é a de que o resultado depende mais de quem está sentado no banco do passageiro do que de sua própria condução do veículo, há algo que merece ser discutido.

Os critérios precisam ser objetivos e aplicados de forma uniforme já que o custo do fracasso é alto. Sempre que um candidato é reprovado, ele precisa refazer o exame prático.

A taxa pública cobrada pelo Detran-PR para essa nova prova é relativamente pequena. O problema aparece quando entram os custos cobrados pelas autoescolas para disponibilização do veículo, novo agendamento, acompanhamento e, muitas vezes, aulas adicionais. Na prática, candidatos relatam desembolsos superiores a R$ 500 para uma nova tentativa.

É um valor expressivo. E esse cenário produz um paradoxo curioso.

Nos últimos anos, o Governo do Paraná tem anunciado medidas para simplificar o processo de habilitação e reduzir custos para o cidadão. Ao mesmo tempo, justamente na etapa final do processo, uma reprovação pode transformar um exame de poucos minutos em uma despesa que pesa significativamente no orçamento de muitas famílias.

Isso faz surgir uma pergunta legítima.

Os critérios utilizados nas avaliações estão sendo aplicados com a razoabilidade que se espera de um exame destinado a medir a capacidade de conduzir um veículo em segurança?

Um dos relatos encaminhados à coluna ilustra bem essa dúvida.

Segundo a candidata, durante uma prova realizada sob chuva, o para-brisa começou a embaçar. Diante da perda de visibilidade, ela optou por parar o veículo antes de acessar uma via preferencial. O examinador teria determinado que ela prosseguisse. A motorista, alegando que não possuía condições seguras de enxergar a via, insistiu em aguardar até recuperar a visibilidade. O resultado, segundo seu relato, foi a imediata reprovação.

Qual deve ser a atitude esperada de um condutor diante da ausência de visibilidade? Avançar porque recebeu uma ordem? Ou agir com prudência para evitar um possível acidente?

O Código de Trânsito Brasileiro foi concebido para proteger a vida. Em tese, interromper a marcha diante de uma condição que comprometa a segurança parece muito mais compatível com esse objetivo do que insistir na continuidade da manobra.

Talvez exista uma explicação técnica para aquela decisão. O ponto é que relatos como esse acabam alimentando um sentimento de insegurança entre os candidatos. Não porque a reprovação exista, ela é parte natural de qualquer processo de avaliação, mas porque muitos saem da prova sem compreender exatamente quais critérios justificaram a decisão.

E refazer o teste não é barato, ao contrário. Deveria ser, na ótica do governo do Paraná. Mas na gulodice das autoescolas não é.

Por isso, quando uma reprovação gera um custo que supera facilmente os R$ 500, é natural que o cidadão pergunte se todos os critérios adotados naquele exame foram realmente proporcionais, razoáveis e compatíveis com o objetivo maior do processo: formar motoristas seguros.

Afinal, ninguém discute a necessidade de rigor.

O que se discute é se, em determinados casos, o rigor não estaria ultrapassando a fronteira do bom senso.

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