A Biblioteca Pública do Paraná agora se chama Dalton Trevisan. O projeto (PL nº 430/2025) foi aprovado ontem pela Assembleia Legislativa do Paraná.
A decisão era aguardada com certa expectativa — para não dizer tensão. Temia-se que Katiuscia e Natascha, netas do escritor falecido em dezembro de 2024, proibissem a homenagem.
Dalton, certamente, proibiria. Mais: rogaria as dez pragas do Egito à ideia.
O projeto dormitava em berço esplêndido na gaveta do presidente da Assembleia, Alexandre Curi, até que este escriba cutucasse sua assessoria de imprensa. Não foi propriamente uma cobrança, mas um pedido de informação.
Coincidência ou não, o projeto foi incluído na pauta às vésperas do período eleitoral, quando a publicidade institucional é restringida — daí a avalanche de mensagens “positivas” do governo federal nos celulares. Entendeu agora, zé?
Matem o mensageiro
Curiosamente, a semente do projeto foi plantada por Estevan Silvera, cineasta que atuou como mensageiro informal do contista paranaense até sua morte. Proprietário de uma lotérica na esquina das Marechais, no centro de Curitiba, Silvera intermediava conversas de Dalton, além de nutri-lo com cenas do cotidiano que o escritor, eventualmente, utilizava em seus contos.
Pela traição, que ele mesmo admite, Silvera justificaria, com folga, a prática de “matar o mensageiro”, que remonta a reis e imperadores da Antiguidade diante de portadores de notícias indesejadas.
O temor de que os herdeiros pudessem intervir não está totalmente descartado. Como depende de sanção do governador Ratinho Jr., a mudança oficial do nome da Biblioteca Pública do Paraná aguarda nos bastidores. É improvável que as netas de Dalton se oponham à homenagem, mas herdeiros de espólios são como fraldas de bebê: sempre guardam surpresas.
Tome-se o caso de Helena Kolody, cuja “segunda morte” foi decretada recentemente, em parte por responsabilidade de seu neto e herdeiros. Ele impôs o pagamento de direitos autorais a uma editora que ousou batizar uma coleção com o nome da poetisa. O que era uma homenagem virou um encargo cujo valor superou, em muito, os ganhos editoriais com sete livros de autores locais.
Um vereador desavisado pode querer, a esta altura, carimbar um logradouro com o nome de Helena Kolody. Fique avisado: a conta chegará tão rápido quanto a impressão da placa. Que seja lá no cafundó; dá no mesmo.
A seleção vale um relógio?
Neymar deve achar que sim. Por isso, foi às redes sociais para compartilhar sua mais nova aquisição: um relógio de ouro, incrustado de diamantes, no valor de R$ 1,5 milhão. A peça faz parte da coleção Batman, da grife Jacob & Co. Na partida entre Brasil e Japão, pela segunda fase da Copa, o meia foi o responsável por retirar uma segunda bola jogada no campo. É um gandula de luxo.
A seleção brasileira enfrenta, no domingo, a equipe da Noruega, que derrotou a Costa do Marfim por 2 a 1. O jornalista Sérgio Xavier assistiu à partida mudando de ideia a cada cinco minutos: quem seria o melhor adversário do Brasil? No final, descobriu que a única certeza é que preferia o outro.
Leia outras colunas do Marcus Gomes aqui.



