ANO IV

01/07/2026

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Caiado já entrou na corrida tomando volta

01/07/2026
caiado

Tem candidatura que nasce para mudar o país. Outras nascem apenas para justificar a impressão de santinhos. A do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) parece ter escolhido a segunda opção.

Aliás, dizer que ela nasceu morta talvez seja uma injustiça com os mortos, porque alguns ainda conseguem causar mais comoção.

O PSD resolveu apresentar seu presidenciável ao Brasil e, para demonstrar toda a confiança no projeto, escolheu como vice justamente o dono… perdão, o presidente do partido, Gilberto Kassab.

Convenhamos, quando o dirigente máximo da legenda precisa entrar na chapa para tentar dar musculatura ao candidato, é sinal de que a maionese desandou antes mesmo de chegar à mesa.

Tudo começou quando Ratinho Junior resolveu sair da disputa presidencial. Pouco importa, agora, quais foram as razões. Se fez bem ou fez mal, a história responderá. O fato concreto é que o PSD apostava todas as fichas na candidatura do governador paranaense. Sem ele, ficou parecendo time que perdeu o centroavante no aquecimento e resolveu colocar o massagista para jogar.

O resultado é uma candidatura que mal começou e já parece procurar a saída de emergência.

O mais curioso é que o problema do PSD não está nos adversários. Está dentro de casa.

No Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o nome do partido para disputar o governo estadual, já avisou, sem rodeios, que seu candidato a presidente é Lula. Nem esperou a campanha começar para deixar claro que seguirá outro caminho.

Os ministros filiados ao PSD caminham na mesma direção. Senadores da legenda também dão sinais de que cada um tocará sua própria música. Se havia uma orquestra, alguém esqueceu de distribuir a mesma partitura.

No Paraná, a situação consegue ficar ainda mais pitoresca. Cristina Graeml, recém-chegada ao partido depois da derrota em Curitiba, desembarcou no PSD já avisando que seu candidato à Presidência será Flávio Bolsonaro, do PL. Traduzindo: entrou na legenda levando a própria bandeira e deixou a do partido dobrada no porta-malas.

É um feito raro. O PSD conseguiu lançar um candidato que parece ser o único realmente obrigado a fazer campanha para si mesmo.

Enquanto isso, seus filiados escolhem livremente outros presidenciáveis.

Há partidos que sofrem com a oposição. O PSD descobriu uma modalidade inovadora: a oposição doméstica.

No fim das contas, a impressão é de que a candidatura de Caiado servirá muito mais para marcar presença nos debates do que para disputar efetivamente o Palácio do Planalto. Será aquele convidado que aparece na festa, tira foto, come um salgadinho, toma um refrigerante e vai embora antes do parabéns.

Porque eleição presidencial exige votos, estrutura, unidade e, principalmente, um partido convencido de que vale a pena vencer.

Hoje, olhando para o PSD, fica difícil saber quem acredita menos na candidatura de Ronaldo Caiado. Os adversários ou os próprios companheiros de legenda.

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