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07/07/2026

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Moro e Dallagnol: depois do teto, a ladeira

07/07/2026
moro e dalagnol

Eu disse que Sergio Moro tinha batido no teto. Apoiadores do ex-juiz, correligionários, amigos, assessores, as viúvas da Lava Jato, enfim, um monte de adoradores de político me xingaram nas redes socias. Pois bem. A nova Paraná Pesquisas, divulgada nesta terça-feira (7), não apenas confirmou a impressão. Colocou uma placa luminosa na estrada: cuidado, ladeira.

Moro ainda lidera a disputa pelo governo do Paraná, com 39,9% das intenções de voto. Mas liderar caindo é diferente de liderar crescendo. Em maio, ele tinha 42,6%. Em junho, 42,3%. Agora, 39,9%. Não é exatamente uma escorregadinha. É aquele tipo de queda que o marqueteiro chama de “ajuste de rota” enquanto procura um copo d’água, um sonrisal e um calmante.

Enquanto Moro escorrega, Requião Filho sobe. Tinha 19,7% em maio, passou a 19,9% em junho e agora chegou a 21,1%. Não é foguete, mas é crescimento. Em política, goteira constante derruba forro bonito.

Greca segue oscilando. Tinha 16,3% em maio, caiu para 13,9% em junho e agora voltou a 14,5%. Continua vivo, mas ainda precisa provar que seu charme curitibano atravessa o Contorno Norte e chega ao resto do Estado. E isso não é fácil. Um amigo que defende a tese de que mais vale um pássaro na mão do que dois voando me deu uma frase sensacional. “Só tem uma coisa melhor que ser governador. É ser vice governador”. O que ele quis dizer? Greca segue sendo resistente à ideia de ser vice de Sandro Alex. Pode ser seu maior erro nessa campanha. Não revelo a fonte nem com reza brava, mas sou volúvel, admito.

Falando em Sandro Alex, o candidato do governador Ratinho Junior ficou com 10,4% no cenário principal. À primeira vista, parece estabilizado. Mas há um detalhe que merece atenção. Quando Greca é retirado do questionário, Sandro mantém uma curva discreta, porém consistente: foi de 11% para 12,8%, entre maio e junho, e agora tem 13,1%. Não é arrancada de cavalo de corrida, mas também não é cavalo parado no potreiro. Enquanto os outros oscilam, Sandro vai comendo pelas beiradas. E política tem dessas ironias, às vezes, quem menos faz barulho é justamente quem começa a incomodar.

O problema maior de Moro é que a campanha dele parece ter uma tecla só. Aperta, e sai Lula. Aperta de novo, e sai Lula. Aperta mais uma vez, e sai Lula com fundo musical de guerra santa. Só que a eleição é para governador do Paraná. O eleitor quer ouvir falar de estrada, saúde, segurança, emprego, educação, porto, interior, litoral e futuro. Não apenas de uma reprise nacional com figurino estadual.

Como dizia Churchill, a política é quase tão excitante quanto a guerra e quase tão perigosa. No caso de Moro, o perigo é achar que guerra ideológica substitui proposta concreta.

E aí veio a lambança dos parnanguaras. Em Paranaguá, o ex-juiz confundiu o gentílico da cidade com povo indígena. Não é crime, claro. Nem precisa de sentença. Mas precisa de aula. Quem quer governar o Paraná precisa saber que parnanguara é quem nasce em Paranaguá. Não é etnia, não é tribo, não é capítulo perdido de livro didático.

A gafe foi pequena no tamanho e enorme no simbolismo. Mostrou um candidato que fala muito do Brasil, muito de Lula, muito do passado e pouco do Paraná real. Aquele Paraná que não cabe em frase pronta de rede social.

Na rejeição, Requião Filho segue como o mais rejeitado, com 33,7%, no mesmo patamar da pesquisa anterior. Moro também manteve sua rejeição, na casa de 25,3%. Um precisa reduzir resistência. O outro precisa descobrir como voltar a crescer. Nenhum dos dois deveria abrir champanhe. No máximo, água com gás e sem fazer muito barulho.

No Senado, Deltan Dallagnol também não tem muito motivo para sorrir. No principal cenário estimulado, perde para Alvaro Dias e Gleisi Hoffmann. Para piorar, aparece em empate técnico com Alexandre Curi.

O discurso de direita ultrarradical do ex-procurador parece ter desidratado. Já foi energético eleitoral. Agora está mais para suco esquecido no painel do carro.

Quando a pesquisa pergunta sobre a segunda vaga sem Alvaro Dias na lista, Deltan aparece em quarto lugar, atrás de Alexandre Curi, Gleisi Hoffmann e Filipe Barros. Em bom português, ficou longe da cadeira e perto da dor de cabeça.

Pelos cenários testados pela Paraná Pesquisas, Deltan não se elegeria senador hoje. E sua rejeição ainda subiu. Era 10,3% em maio, foi a 11,7% em junho e agora chegou a 11,9%. Não é incêndio, mas já tem cheiro de fio queimado.

Moro e Deltan talvez estejam aprendendo a mesma lição. Indignação dá palco. Dá aplauso. Dá corte para internet. Mas eleição cobra mais caro. Cobra proposta, território, articulação e capacidade de falar com quem não está no coral.

Maquiavel escreveu que os homens julgam mais pelos olhos do que pelas mãos. Pois o eleitor paranaense começou a olhar melhor. E, quando olha melhor, até herói de palanque pode virar candidato comum.

A Paraná Pesquisas ouviu 1.500 eleitores no Paraná entre os dias 3 e 6 de julho de 2026. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-01166/2026.

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