Já faz algum tempo que escrevo aqui nesse espaço que gentilmente me foi cedido. E, semana após semana, alguns amigos que são leitores assíduos, registram que parece que não acredito mais no esporte futebol aqui no Brasil, que sou ranzinza demais.
Pois bem. Prefiro ser diferente, no tocante à análise de futebol, do que a avassaladora maioria da população. Eu vejo o brasileiro sempre como um “bobo alegre” quando o tema é esse. Sempre sendo iludido e sempre seguindo acreditando. Na política o País também é assim.
No domingo (5), o Brasil foi desclassificado, até de forma vexatória, na Copa do Mundo. O resultado fez e fará com que absurdos rios de dinheiro tenham sido jogados no lixo e ainda mais se perca no futuro. O “escrete canarinho” não é mais temido, não é mais respeitado e tampouco valorizado. A “marca” perde valor como nunca antes perdeu.
Mas isso surpreende? É claro que não! Só incautos poderiam acreditar que a seleção chegaria nos mais altos degraus do pódio nesse mundial. Nenhum (repito, nenhum) negócio que começa errado acaba certo! Isso é lei de mercado. E o futebol no Brasil está errado, privilegiando uma casta que se beneficia do que ainda pode sugar, em detrimento da evolução do esporte.
Vamos aos fatos e aí cada um de nós chega à conclusão. Ao final, opinemos se um dia isso poderá mudar e se poderemos pleitear novamente o título de País do Futebol. Se perceberemos nas seleções que jogam contra nós o temor que um dia já tiveram em jogar contra o Brasil.
A BASE – Hoje os moleques não podem mais “jogar bola”. São adestrados a “ocupar espaço”, fazer o jogo “box-to-box”, fazer jogada “de arrasto”, treinar a “linha alta e a linha baixa”. Onde estão os moleques que “jogam bola” como os que víamos poucos anos atrás? Citemos apenas um jogador brasileiro “extraclasse”, um só!! Alguém se aventura??
EMPRESÁRIOS – São eles que dominam a formação de quase a totalidade das equipes no Brasil. Detém o poder de enviar ou não enviar o jogador para algum clube, para algum país. E, convenhamos, estão nada preocupados com a evolução do futebol. Querem apenas a evolução de suas contas bancárias. A lei os privilegia e os protege.
TÉCNICOS – Aqui a falência fica ainda mais evidente. Não se achou UM brasileiro sequer. Importou-se profissional com excelente histórico pregresso, mas com uma filosofia atual já bastante questionável. Nota: quem “forma” os técnicos no Brasil é uma tal de CBF através da CBF Academy. Parece que o cursinho lá não é dos melhores…
CBF – A Confederação tem ingresso de recursos por todos os lados (a cada insucesso como esse, menos, mas ainda em volumes estrondosos). Isso gera muitos interesses. Só que todos sabem que a gestão da entidade é feita, de forma indireta, por integrante do Supremo Tribunal Federal. Sabe-se lá qual a intenção mor de quem administra o futebol no Brasil hoje. Vou até além, não se sabe nem quem administra, pois o representante estatutário da entidade veio da Federação Roraimense de Futebol, indicado e “validado” previamente. É tudo muito nebuloso.
ÉTICA E MORAL – sabemos que na vida, para se ter estofo para cobrar ou delegar algo para alguém, o mínimo necessário é que sua imagem seja ilibada. O conhecimento se adquire, a imagem se constrói. Como é que alguém que foi colocado como Presidente da entidade pode, durante o evento mais importante de sua gestão, envolver-se em escândalo com esposa e amantes?? Que imagem transmite?? Como pode querer ser respeitado?? Se alguém acha isso correto, creio importante questionar seus próprios conceitos.
PERSONALIDADE – Costumo não entrar em análises de jogos e jogadores. Mas hoje abrirei exceção. Nenhum jogador que é referência, que sabe o seu potencial, que se diz destaque, deixa os momentos importantes e nevrálgicos para terceiros. NENHUM. O nosso “destaque” nada mais é que um jogador normal, envolto em polêmicas fora do futebol. Bom jogador apenas, longe demais de poder ser tratado da forma com que imprensa o trata. Messi, Cristiano Ronaldo, Kane, Mbappé, Haaland deixariam alguém bater um pênalti no lugar deles? É obvio que não! Sabem o tamanho que tem e tem personalidade para assumir a responsabilidade. Não são “frouxos”, pegariam a bola, colocariam embaixo do braço e fariam o “serviço sujo”! Isso diferencia homens de verdade e atletas de destaque do restante!
Mudar tudo isso é humanamente impossível. No filme “Tropa de Elite 2” o Capitão Nascimento mostra como funciona o “sistema” e o quanto ele é imbatível e insuperável. No futebol brasileiro também é assim, tal qual no filme. Principalmente enquanto o povo, os torcedores, forem tratados como “bobos alegres” e aceitarem que são mesmo…
Imagem: Gerada por IA
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