ANO IV

10/07/2026

HojePR

zisman

Julho não elege governador

10/07/2026
julho

Pesquisas ajudam a compreender o momento político, mas ainda há um longo caminho entre a fotografia de julho e o resultado das urnas em outubro.

Toda eleição produz uma corrida curiosa. Não apenas entre os candidatos, mas também entre os analistas. Antes mesmo de as convenções definirem as chapas e de a campanha ganhar as ruas, começam a surgir interpretações apresentadas como conclusões definitivas. A sucessão, que ainda está sendo construída, passa a ser tratada como se já estivesse decidida.

O Paraná vive um pouco esse ambiente.

As pesquisas colocam Sérgio Moro na dianteira da disputa pelo Governo do Estado. Esse é um dado que merece ser levado em consideração, mas talvez não autorize parte das conclusões que passaram a circular nas últimas semanas. Liderar uma pesquisa é diferente de vencer uma eleição, especialmente quando ainda faltam as convenções, a definição das chapas, o início da propaganda eleitoral e o momento em que o eleitor passa a acompanhar a campanha com mais atenção.

É justamente nesse intervalo que a política costuma produzir movimentos que as pesquisas, por definição, ainda não conseguem captar.

A sucessão paranaense continua sendo um processo aberto. Rafael Greca permanece como uma variável importante na formação das alianças e na reorganização de parte do eleitorado, especialmente em Curitiba. Requião Filho conserva um espaço político próprio, dialogando com um segmento que dificilmente migrará de forma automática para qualquer outro candidato. Ao mesmo tempo, a eleição para o Senado influenciará diretamente a composição dos palanques, a estratégia dos partidos e a dinâmica da campanha para o Governo. Não se trata de disputas paralelas. Elas caminham juntas.

É por isso que também parece precipitado subestimar o peso da estrutura política construída ao longo dos últimos oito anos. Da mesma forma, seria um equívoco imaginar que essa estrutura, por si só, seja suficiente para definir o resultado da eleição. A experiência mostra que apoio político, organização partidária, presença nos municípios, prefeitos, deputados e lideranças regionais continuam tendo importância. Mas mostra também que nada disso substitui uma campanha bem conduzida e candidatos capazes de converter essa força política em voto.

É nesse contexto que a decisão de Alexandre Curi ganha significado. Ele trabalhou para ser o candidato do grupo ao Governo do Estado e nunca escondeu esse objetivo. Quando a escolha recaiu sobre Sandro Alex, poderia ter mantido sua pretensão ou provocado uma disputa interna. Optou por preservar a unidade do grupo, aceitou disputar o Senado e assumiu, naturalmente, uma responsabilidade maior na construção política da campanha governista. Mais do que buscar uma vaga no Senado, passa a ser um dos responsáveis por ajudar a organizar uma campanha que dependerá da mobilização de prefeitos, deputados e lideranças espalhadas por todas as regiões do Paraná. É um tipo de influência que dificilmente aparece nas pesquisas, mas costuma fazer diferença quando a campanha entra em sua fase decisiva.

Como se isso não bastasse, ainda existe uma variável que nenhum observador pode ignorar: a eleição presidencial.

É verdade que o Paraná vem demonstrando, há alguns anos, preferência majoritária pelo campo conservador na disputa nacional. Essa tendência certamente influenciará o ambiente da campanha, estimulará militâncias e ajudará a definir alianças. Mas o histórico do eleitor paranaense também mostra outra característica. Quando escolhe quem governará o Estado, costuma fazer uma avaliação mais ampla. Gestão, capacidade administrativa, estabilidade política e a perspectiva de continuidade de um ciclo de desenvolvimento que produziu resultados percebidos por boa parte da população também entram nessa conta. A eleição presidencial pesa, mas dificilmente será o único fator a orientar essa escolha.

Talvez seja exatamente por isso que pareça cedo demais distribuir favoritos definitivos.

As convenções reorganizarão o tabuleiro, definirão as candidaturas e marcarão o início da campanha de verdade. Será a partir daí que cada candidato precisará demonstrar sua capacidade de transformar intenção de voto em voto, apoio político em mobilização e expectativa em resultado.

Até lá, toda análise precisa conviver com uma dose saudável de prudência.

Julho é um excelente mês para observar tendências, acompanhar movimentos e formular hipóteses. Apenas não parece ser um bom mês para anunciar, com tanta convicção, quem será o próximo governador do Paraná.

Quem consegue enxergar outubro com tanta antecedência talvez possua um talento que a ciência política ainda não conseguiu explicar.

A quiromancia, quem sabe, talvez consiga.

Leia outras colunas O Estado das Coisas aqui.

Leia outras notícias no HojePR.
• Siga o HojePR no Instagram.

Deixe um comentário