Quando o assunto é infraestrutura viária, a escolha do tipo de pavimento influencia diretamente a segurança, os custos de manutenção e a vida útil da obra. Cada vez mais presente em rodovias, aeroportos, portos e corredores urbanos de grande circulação, o pavimento de concreto tem se consolidado como uma solução de alto desempenho, capaz de suportar tráfego intenso por décadas, com pouca ou nenhuma necessidade de intervenções.
Segundo o engenheiro César Daher, fundador e diretor da Daher Engenharia Consultiva e Tecnologia e especialista em pavimentos de concreto, a principal vantagem do sistema está na sua durabilidade. Enquanto um pavimento asfáltico costuma ser dimensionado para uma vida útil entre oito e doze anos, o pavimento rígido de concreto pode permanecer em operação por mais de anos, quando corretamente projetado e executado. “O Aeroporto Internacional Afonso Pena é um exemplo dessa durabilidade. A pista de taxeamento completa 30 anos em perfeito estado, sem apresentar patologias ou necessidade de manutenção no pavimento de concreto”, explica César.
Essa resistência é resultado do próprio comportamento estrutural do concreto. Diferentemente do asfalto, que distribui os esforços em camadas e concentra parte das cargas no solo, o pavimento rígido funciona como uma placa, espalhando o peso dos veículos por uma área muito maior. Como consequência, praticamente não sofre deformações permanentes, mesmo sob tráfego pesado.
Mais segurança viária
Além da maior vida útil, o pavimento de concreto oferece ganhos relevantes em segurança. Sua superfície proporciona melhor macro textura, favorecendo a aderência dos pneus e reduzindo o risco de aquaplanagem durante períodos chuvosos.
Outro diferencial é a coloração clara do concreto, que reflete mais luz do que o asfalto. Essa característica melhora significativamente a visibilidade noturna, podendo aumentar em até 30% a percepção visual dos motoristas, além de contribuir para a redução da demanda por iluminação pública.
“O concreto não apresenta o chamado trilhamento de roda, aquelas deformações provocadas pelo tráfego intenso de caminhões que alteram o comportamento do veículo e comprometem a segurança. A superfície permanece estável ao longo dos anos”, acrescenta César Daher.
Em Curitiba, algumas obras executadas com acompanhamento tecnológico da Daher são referências nacionais de desempenho. Entre elas está a Rua Santa Bernardete, reconhecida pelo Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon) como uma das vias de melhor qualidade da capital paranaense, com Índice de Condição do Pavimento (ICP) de 95,7.
Benefícios percebidos pelo motorista
Embora muitas diferenças entre concreto e asfalto sejam de natureza técnica, seus efeitos são facilmente percebidos pelos usuários. Segundo César Daher, o concreto mantém a superfície plana mesmo em áreas de intensa frenagem e aceleração, como cruzamentos, pontos de ônibus e semáforos, evitando ondulações que tornam a condução desconfortável.
Outra vantagem está na previsibilidade do trajeto. Com menos buracos, deformações e remendos, o motorista dirige com mais tranquilidade, reduzindo freadas bruscas, desvios inesperados e situações que rotineiramente resultam em acidentes. “O concreto proporciona uma condução mais uniforme e previsível. Quando a pista permanece íntegra durante muitos anos, o trânsito se torna naturalmente mais seguro e menos estressante”, afirma.
Economia durante todo o ciclo de vida
Embora o investimento inicial possa ser superior em alguns empreendimentos, o pavimento de concreto apresenta custos menores ao longo de sua vida útil, devido à baixa necessidade de manutenção.
Enquanto pavimentos asfálticos exigem operações frequentes de recapeamento, tapa-buracos e correções superficiais, o concreto permanece em operação por décadas com poucas intervenções, reduzindo custos para concessionárias, gestores públicos e operadores logísticos.
Além da economia direta, a menor necessidade de obras evita interdições constantes de pistas, contribuindo para maior fluidez do trânsito e menor impacto sobre os motoristas.
Tecnologia começa na escolha dos materiais
O desempenho do pavimento, entretanto, depende de um projeto adequado e de rigoroso controle tecnológico durante sua execução. Segundo César Daher, a seleção correta dos agregados, do cimento e da espessura das placas deve considerar fatores como intensidade do tráfego, cargas por eixo e capacidade de suporte do solo.
“Não existe uma espessura padrão para todos os projetos. Cada obra precisa ser dimensionada de acordo com as condições de utilização e receber materiais compatíveis com a vida útil esperada”, ressalta.
Essa combinação entre projeto estrutural, especificação de materiais e controle executivo explica por que pavimentos de concreto implantados há mais de duas décadas em aeroportos, rodovias, vias urbanas e áreas portuárias continuam apresentando elevado desempenho, mesmo submetidos a condições severas de operação.
Para o especialista, investir em pavimentos de concreto significa adotar uma solução que alia engenharia, segurança, durabilidade e eficiência econômica, reduzindo custos de manutenção e aumentando a confiabilidade das principais infraestruturas de transporte do País.



