ANO IV

23/07/2026

HojePR

sergio

FLIP Paraty 2026

23/07/2026
flip

Seu correspondente cultural Sérgio Viralobos se encontra hoje numa missão num aprazível município do litoral sul fluminense, que está recebendo a 24° edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Desde a primeira edição, em 2003, a Flip, reconhecida como Patrimônio Histórico-Cultural e Imaterial do estado do Rio de Janeiro, movimenta a cidade, reunindo personalidades da cultura e literatura para conversas e atividades, além de promover ações de incentivo à leitura com um programa educativo para crianças e jovens, culminando nas celebrações da Flipinha e FlipZona.

O evento, que vai homenagear Orides Fontela neste ano, está acontecendo entre os dias 22 e 26 de julho (quarta-feira a domingo), no Centro da cidade. Este é o segundo ano seguido que a Flip homenageia a Poesia, tendo celebrado o autor curitibano Paulo Leminski na edição de 2025. Com curadoria da crítica literária Rita Palmeira, a programação principal conta com 21 mesas literárias com autores nacionais e internacionais. Entre eles estão Ana Paula Tavares, Andrea Bajani, Andréa Del Fuego, Andrei Kurkov, Augusto Massi, Bethânia Pires Amaro, Denise Stoklos e mais.

A atriz e dramaturga paranaense, com vasta experiência e reconhecimento internacional, será um dos destaques da Flip, num estilo que valoriza a expressão corporal e o uso mínimo de recursos cênicos. Denise Stoklos, na Mesa 7, hoje às 21 horas, estreia o espetáculo inédito “Dalton Trevisan, que tinha um cachorro”, dirigido por Alessandra Maestrini.

A homenageada Orides de Lourdes Teixeira Fontela, natural de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, é um dos mais celebrados nomes da poesia contemporânea brasileira. Formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), ela construiu uma trajetória literária reconhecida, sendo autora de livros como “Alba”, vencedor do Prêmio Jabuti em 1983, e “Teia”, premiado pela Associação Paulista dos Críticos (APCA), em 1996. Entre suas obras também estão títulos como ”Transposição”, ”Helianto”’ e ”Rosácea”. Orides Fontela faleceu em 1998, aos 58 anos, em Campos do Jordão (SP). A causa da morte foi uma insuficiência cardiopulmonar em decorrência da tuberculose.

Antonio Candido escreveu um prefácio ao livro Alba (1983) em que não poupa elogios: “Um poema de Orides Fontela tem o apelo das palavras mágicas que o pós-simbolismo destacou, tem o rigor construtivo dos poetas engenheiros e tem um impacto por assim dizer material de vanguarda recente. Mas não é nenhuma destas coisas, na sua integridade requintada e sobranceira; e sim a solução pessoal que ela encontrou. Parecendo tão inseridos numa certa evolução da poesia moderna, e sendo tão originais como invenção, os seus versos possuem em geral uma carga de significado que não é frequente”.

Mais recentemente, em um prefácio do livro O nervo do poema: antologia para Orides Fontela (Relicário), seleção de poemas em homenagem a Orides escritos por poetas contemporâneos, Paulo Henriques Britto e Patrícia Lavelle garantem: “Em sua obra, dois gestos se atravessam e se entrecruzam: a interrogação teórica diante do real e a releitura da tradição não apenas literária, mas também filosófica. Orides lê interrogando e dialogando, transforma o lido ao dar forma ao poema, relê escrevendo. Alguns de seus poemas se apresentam explicitamente como releituras, em outros, as leituras ficam implícitas. Em todo caso, sua experiência poética da leitura é sempre releitura, trabalho de inversão e reinvenção na escrita: metamorfose, ironia e diálogo”.

Círculo

O círculo
é astuto:
enrola-se
envolve-se

autofagicamente.

Depois
explode
̶ galáxias! ̶

abre-se
vivo
pulsa

multiplica-se

divindade círculo
perplexa
(perversa?)

o unicírculo
devorando
tudo.
̻ ̻ ̻

Orides Fontela

Um dos pontos altos da Flip 2026 será a comemoração dos 20 anos de fundação do selo Demônio Negro. Criado pelo editor Vanderley Mendonça, tem no catálogo livros que se notabilizaram tanto pelo estilo da composição tipográfica (homenagem aos impressores-editores Cléber Teixeira, Editora Noa Noa, e Guilherme Mansur, da Tipografia de Fundo de Ouro Preto) quanto pela opção de fazer obras de relevante importância para literatura e poesia universais. Parte do catálogo é dedicada a tradução de obras inéditas em língua portuguesa. Editados sob demanda, os livros do Selo Demônio Negro têm acabamentos manuais e são impressos em séries limitada, com exemplares numerados e com recursos e técnicas gráficas que os diferenciam. A partir da disponibilidade no catálogo, as obras podem ser encomendadas e reimpressas.

Segue a programação completa dos eventos que acontecerão no veleiro Bateau Ivre, disponibilizado para viagens pelos mares de Paraty aos convidados:

Sexta-feira, 24.07.2026

  • 16:00 – TAROT E LITERATURA – Mônica Berger, Sergio Viralobos e Leonardo Chioda conversam sobre as relações do Tarot com a Literatura.
  • 17:00 – Tarde de autógrafos com os autores do livro “A Caverna dos Destinos Cruzados”, de Mônica Berger e Sergio Viralobos.
  • 17:30 – A MÚSICA DA POESIA – Lançamento do livro-disco “Música na Poesia”, de Simone Bacelar, Ná Ozzetti e Marco Ozzetti.
  • 18:30 – JE EST UN AUTRE (Eu é um outro) – Carlos Martí, Claudia Lucas Chéu e Vanderley Mendonça conversam sobre Rimbaud e arte poética.
  • 19:30 – Lançamento do livro “Nevoeiro”, de Carlos Martí.
  • 20:00 – Recital poético-musical com leitura de Ricardo Bittencourt dos poemas de Carlos Martí.

Sábado, 25.07.2026

  • 16:00 – ALMA ATLÂNTICA – A escritora portuguesa Cláudia Lucas Chéu conversa com o poeta Carlos Martí sobre intercâmbio cultural na lusofonia.
  • 17:00 – Lançamentos dos livros “Uma Coca-Cola no Inferno” e “Escrevo por Vingança à Morte”, de Cláudia Lucas-Chéu.
  • 17:30 – O editor Vanderley Mendonça conversa com o poeta Edimilson de Almeida Pereira sobre seu livro “Porte Etoile”.
  • 18:00 – Noite de autógrafos com Edimilson de Almeida Pereira.
  • 19:00 – TRADUÇÃO-ARTE – Álvaro Faleiros e Vanderley Mendonça conversam sobre poesia de invenção.
  • 20:00 – Lançamento dos livros e sessão de autógrafos “A Flor e o Mal”, de Álvaro Faleiros e “Ditos”, de Francis Picabia.
  • 20:30 – O MAL E A FLOR – Recital poético-musical, com Paulo Iumatti e Álvaro Faleiros

Outra personagem importante desta FLIP 2026 será Vitor Miranda, criador do Movimento Neomarginal, que se une ao grupo de fortalecimento feminino Capitolinas para somar com a casa da programação oficial Tyiwaras Tikunas.

A casa receberá esse ano o nome Casa Tyiwaras Tikunas + Neomarginais + Capitolinas. Vitor é um dos curadores e também estará fazendo parte da programação como artista. Seus livros estarão expostos na banca de livros da casa e fará uma conversa sobre poesia para o lançamento de “ÓDIO AO POEMA”.

Como bom Neomarginal, Vitor também estará percorrendo as ruas do centro de Paraty vendendo exemplares de mão em mão apresentando o trecho em que a homenageada da edição é citada:

“Márcia Denser não teve dinheiro pra comprar os remédios
Cláudio Willer desejou morrer antes do coração parar
Orides Fontela ganhou um jabuti e acabou por morar de favor no fim da vida
vampeta e mais 22 jogadores de futebol ganham aposentadoria desde os trinta anos”

Outra novidade é a instituição da Casa Paraná como espaço oficial da literatura paranaense na Flip, com curadoria do Coletivo Marianas, grupo de escritoras em atividade desde 2014 em Curitiba. Organizada via edital público, a casa homenageia a poeta paranaense Helena Kolody (1912-2004) e funciona como ponto de encontro entre autores, editoras independentes, leitores e pesquisadores durante os cinco dias do evento.

A programação, aberta ao público o dia todo, inclui lançamentos e exposição de livros e atividades gratuitas, como mesas de debate, oficinas de haicai e escrita criativa, rodas de conversa, saraus e uma mesa sobre mercado editorial. À noite, o espaço recebe o Boemia Poética, sarau de microfone aberto.

Segundo a curadora geral da casa, a escritora Edra Moraes, a proposta é apresentar o panorama da produção literária contemporânea do Paraná, com autores consagrados e novos talentos: “o Paraná tem uma produção literária robusta, diversa e contemporânea, que merece ocupar um lugar de destaque no cenário nacional”.

Com visão de longo prazo, a ideia é não só realizar uma boa programação durante cinco dias, mas consolidar uma política permanente de presença da literatura paranaense nos grandes eventos nacionais.

Programação

O Coletivo Marianas promoverá uma exposição com livros de integrantes do GREI e do Mulherio das Letras Paraná, reunindo autores e autoras contemporâneos e obras de autoras consagradas, entre elas a homenageada, Helena Kolody, Alice Ruiz, Luci Collin e Laura Santos.

Homenagem

A poeta Helena Kolody é um dos maiores nomes da literatura paranaense e referência nacional. “É o reconhecimento de uma autora que transcende o Paraná e permanece atual, inspirando novas gerações de leitores e escritores”, afirma Edra Moraes. Kolody foi uma das responsáveis por aproximar a poesia brasileira de formas breves inspiradas na tradição oriental, especialmente o haicai, presente na programação da Casa Paraná.

Sobre o Coletivo Marianas: fundado em 2014 em Curitiba, o coletivo leva o nome da intelectual Mariana Coelho (1857-1954), pioneira na defesa da educação e emancipação das mulheres. Reúne 150 integrantes e, em 2026, se formalizou como associação sem fins lucrativos. É certificado pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura e venceu, em 2026, o Prêmio Curitiba Mais Criativa, na categoria Comunidades Criativas.

Casa Paraná — 24ª Flip

  • Onde: Rua Comendador José Luiz, 274, Centro Histórico
  • Quando: 22 a 26 de julho de 2026
  • 10h às 12h30 — Oficinas de criação literária (haicai, poesia, escrita criativa) para crianças, jovens e adultos.
  • A partir das 14h — Lançamentos de livros e sessões de autógrafos com escritores paranaenses; espaço aberto a autores independentes.
  • 17h — Mesas de debate sobre literatura, mercado editorial e formação de leitores. Noite — Boemia Poética: sarau de microfone aberto.

Durante todo o dia:
• Exposição em homenagem a Helena Kolody.
• Exposição permanente de livros do Coletivo Marianas e do Grei.
• Espaço do Escritor Paranaense: mesa fixa para exposição e autógrafos de autores independentes.
• Exibição de videopoemas paranaenses premiados (Pássaros Ruins, Portáteis).

* Estarei na Flip durante toda sua duração e publicarei na minha página no Facebook (Sérgio Viralobos) as novidades sobre o evento.

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