ANO IV

25/07/2026

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Moro ganha o apoio do DC; e zero minuto de televisão

25/07/2026
MORO

Sergio Moro conseguiu um apoio de peso. Peso pena, naturalmente. O Democracia Cristã anunciou que estará ao lado do senador na disputa pelo Governo do Paraná. A adesão foi comemorada com vídeo, sorrisos, aperto de mãos e aquela solenidade típica de quem acaba de entregar um presente sem pilhas, sem manual e sem nenhuma utilidade aparente.

Naquilo que mais interessa a uma campanha majoritária, tempo no horário eleitoral gratuito, o DC acrescenta rigorosamente nada. Zero minuto. Zero segundo. Nem aquela fraçãozinha usada para o candidato dizer rapidamente o próprio nome antes de a televisão voltar à propaganda de sabão em pó.

O motivo é simples. O DC é um partido nanico. Nanico com certificado, carimbo e autenticação do Tribunal Superior Eleitoral. Na eleição de 2022, não elegeu nenhum candidato. Recebeu 97.741 votos para deputado federal em todo o país. Esse estratosférico desempenho equivale a 0,09% dos votos válidos. Como não atingiu a cláusula de desempenho, ficou sem acesso próprio à propaganda gratuita no rádio e na televisão. Na formação de uma coligação majoritária, portanto, o partido não leva um único segundo para a candidatura de Moro.

É o equivalente político daquele sujeito escolhido por último na pelada de domingo. Ele fica encostado no alambrado até alguém perceber que um dos times está com dez. Entra porque precisa completar a fotografia, mas ninguém espera que marque, arme jogada ou alcance a bola. No caso do DC, nem a bola ele trouxe.

Talvez apareça alguém dizendo que o partido oferece lideranças municipais, estrutura e dois ou três cabos eleitorais muito animados. Tudo bem. Também é possível que leve café, bolacha e uma extensão elétrica para o comitê. Mas tempo de televisão, que é bom, não leva. Nesse quesito, sua contribuição para a campanha de Moro é comparável à de um vaso de samambaia.

Então por que tanto esforço para garantir esse apoio?

Porque existem aliados que servem para somar. E existem aliados que são recrutados para impedir que alguém subtraia.

O principal patrimônio eleitoral do DC não era seu tempo de televisão, sua bancada federal ou sua vigorosa militância, facilmente acomodável em uma Kombi. Era a possibilidade de oferecer legenda a Tony Garcia, que pretendia disputar o Governo do Paraná com uma candidatura construída especificamente para atormentar Sergio Moro.

Tony está longe de ser personagem de comercial de margarina. Empresário e ex-deputado estadual, foi preso em 2004 no caso do Consórcio Nacional Garibaldi e posteriormente condenado por crimes financeiros. Depois virou colaborador da Justiça, acusador de antigos aliados e presença recorrente no noticiário policial. Sua biografia pública não cabe em um santinho eleitoral. Precisa de índice, notas de rodapé e provavelmente um segundo volume.

Não se trata, portanto, de apresentar Tony como uma reserva moral da República. Nem ele correria esse risco. O problema para Moro era outro. Tony possui histórias, ressentimentos, acusações e uma disposição aparentemente inesgotável para falar sobre o período em que colaborou com autoridades da Justiça Federal.

Marqueteiro não teme apenas adversário com votos. Teme adversário com microfone, memória e tempo livre.

Ninguém imagina que o ex-deputado vencesse a eleição. Mas, na campanha, poderia subir em caixotes nas praças, conceder entrevistas, tentar participar de debates e transformar cada dia da campanha numa nova sessão de perguntas inconvenientes para Moro.

O risco era obrigar Moro a passar a eleição inteira respondendo a Tony.

Uma candidatura assim não precisa vencer. Basta produzir vídeos, manchetes e constrangimentos. Tony poderia discursar para vinte pessoas numa praça e, algumas horas depois, aparecer para milhares nas redes sociais. Para uma campanha interessada em apresentar Moro como gestor do futuro, seria desagradável passar dois meses discutindo denúncias, gravações, antigos processos e os fantasmas da República de Curitiba.

Foi então que o DC viveu seu milagre eleitoral. A comissão estadual comandada por Ricardo Gomyde, que articulava a candidatura de Tony, foi inativada por decisão do partido. Uma nova Executiva assumiu, a candidatura própria evaporou e o apoio a Moro foi oficialmente anunciado.

Tony acusa o senador e seus aliados de terem interferido na legenda; Moro rejeita a acusação e classifica as declarações como ilações de um “personagem folclórico”. O que está documentado é a sequência dos acontecimentos. Caiu o comando favorável a Tony, entrou uma direção alinhada a Moro e o DC desistiu da candidatura própria.

Como o partido não acrescenta tempo de televisão, bancada federal ou votos nacionais relevantes, a utilidade política da operação parece estar menos no que o DC entrega a Moro e mais no que retira do caminho dele.

Moro ganhou um partido com zero minuto de propaganda, zero deputado federal e 0,09% dos votos nacionais. Em compensação, ganhou também um adversário a menos circulando pelas praças com um caixote, um microfone e uma longa lista de histórias para contar.

No mercado político, foi um negócio curioso. O DC não trouxe tempo de televisão. Trouxe o botão de mudo.

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