As novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros devem atingir com força a indústria do Paraná. O Estado está entre os mais expostos à medida porque parte relevante de suas vendas aos Estados Unidos é formada por produtos industrializados, como máquinas, equipamentos elétricos, madeira processada, papel e revestimentos cerâmicos.
Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, é apontada como a cidade paranaense mais afetada. O município concentra indústrias de máquinas pesadas e de revestimentos cerâmicos que mantêm forte relação com o mercado americano. Com a sobretaxa, os produtos fabricados na cidade ficam mais caros e perdem competitividade diante de fornecedores de outros países.
O impacto pode ultrapassar as empresas exportadoras. Uma eventual redução das encomendas ameaça fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e postos de trabalho ligados às cadeias metalmecânica, cerâmica e da construção civil.
Mandaguari, no norte do Estado, também está entre as cidades mais vulneráveis. A economia local abriga fabricantes de transformadores e equipamentos para redes de energia. Como esses produtos costumam ser desenvolvidos de acordo com as especificações dos compradores, a busca por novos mercados tende a ser mais lenta.
Em Telêmaco Borba, nos Campos Gerais, a principal preocupação é a indústria florestal. A cidade concentra empresas de madeira, papel e produtos derivados de florestas plantadas. Os Estados Unidos são um dos principais destinos de itens como molduras, compensados, portas e madeira processada produzidos no Paraná.
Curitiba completa a lista das quatro cidades mais atingidas. Na capital, os efeitos são distribuídos entre diferentes segmentos, como autopeças, máquinas, equipamentos médicos, cabos elétricos e produtos de madeira. A maior diversificação da economia reduz parte do risco, mas não impede perdas para empresas dependentes do mercado americano.
O impacto tende a ser mais intenso em Campo Largo, Mandaguari e Telêmaco Borba porque grandes indústrias têm peso elevado na geração de empregos e na arrecadação municipal. Uma queda prolongada nas exportações pode provocar redução da produção, suspensão de investimentos e demissões.
Entidades empresariais e o governo do Paraná discutem medidas de crédito e apoio tributário às exportadoras. A capacidade de reduzir os prejuízos, porém, dependerá da duração das tarifas e da possibilidade de abertura de novos mercados para os produtos paranaenses.



