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27/07/2026

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Moro estaciona e 52% podem mudar de lado

27/07/2026
sergio moro em pop art

Pesquisa não ganha eleição. Também não escolhe governador. Mas, quando dois institutos diferentes começam a contar praticamente a mesma história, convém prestar atenção antes de culpar o termômetro.

A Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (27) colocou Sergio Moro com 39% no cenário mais amplo e 40% na simulação sem Rafael Greca. É uma liderança confortável? Alguns diriam que sim. O problema para o ex-juiz, no entanto, não está na fotografia, mas no movimento. Moro continua na frente, porém deixou de avançar.

Vamos recordar, e eu adoro fazer isso. As pesquisas da Paraná Pesquisas são especialmente incômodas para o senador. No cenário com Requião Filho, Rafael Greca e Sandro Alex, Moro tinha 42,6% em maio, passou para 42,3% em junho e caiu para 39,9% em julho. Em três levantamentos consecutivos, não houve crescimento. Houve estabilidade e, depois, queda.

A Quaest confirma que o senador estacionou no corredor dos 40%. Em abril, Moro tinha 42% no cenário sem Greca. Agora aparece com 40% na mesma configuração básica. No cenário mais amplo, passou de 35% para 39%, mas novamente parou no mesmo patamar em que foi encontrado pelo Paraná Pesquisas. Não há uma escalada consistente. Há oscilações que sempre terminam no mesmo andar.

É disso que se trata quando se fala em teto eleitoral. Não é uma laje de concreto fixada exatamente em 39% ou 40%. Pesquisas têm margem de erro, cenários diferentes e nomes que entram ou saem da lista. O teto é político. É a dificuldade de acrescentar uma nova camada de eleitores ao grupo que já acompanha o senador.

No quartel de Moro, portanto, o sinal amarelo deveria estar aceso. A liderança continua existindo, mas ela não cresce. E uma candidatura que não cresce enquanto os adversários ainda são pouco conhecidos corre o risco de parecer maior hoje do que será quando a campanha começar de verdade.

A situação fica ainda mais delicada quando a Quaest pergunta sobre a firmeza dessas escolhas. Entre os entrevistados que indicaram algum candidato, 64% disseram que ainda podem mudar de voto. Apenas 35% consideram a decisão definitiva. Entre os próprios eleitores de Moro, 52% admitem que podem abandoná-lo e escolher outro nome.

Em outras palavras, Moro lidera uma eleição na qual mais da metade de seus eleitores ainda não assinou o contrato. Estão, por enquanto, apenas conversando com o corretor.

O cenário tende a mudar quando a campanha estadual deixar de ser uma conversa restrita aos partidos, aos gabinetes e às redes sociais. Nesta semana, a tendência é que Ratinho Junior intensifique a apresentação de Sandro Alex como seu candidato. Até agora, o eleitor ainda viu pouco dessa operação. Quando o governador entrar em campo de maneira mais explícita, Moro deixará de disputar apenas contra nomes e passará a enfrentar também a força da máquina política mais popular do Paraná.

A Quaest mostra que 83% dos eleitores não conseguem citar espontaneamente um candidato ao governo. A eleição ainda não ocupou a cabeça do paranaense. Nesse enorme território de indecisos, Ratinho Junior chega com 81% de aprovação.

É verdade que popularidade não se transfere automaticamente. Governador nenhum coloca seus índices numa sacola e os entrega ao candidato escolhido. Mas também seria ingenuidade desprezar o fato de que 63% dos entrevistados acreditam que Ratinho merece eleger o sucessor que indicar. É um número alto demais para ser tratado como detalhe.

Sandro Alex ainda precisa ser apresentado, reconhecido e associado ao governo. Não é pouco trabalho. Mas possui algo que nenhum outro adversário de Moro tem nas mesmas proporções: um governador muito bem avaliado, disposto a dizer ao eleitor que a continuidade passa por ele.

Moro continua na frente. Só que parado e essa é uma condição menos confortável do que parece. Enquanto o senador permanece há meses no mesmo patamar, a campanha ainda nem começou a distribuir seus pesos reais.

O teto pode até parecer alto quando a sala está vazia. O problema começa quando chegam os outros móveis.

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