Por André Lopes
Se você acha razoável demorar quatro horas para chegar ao Litoral pode parar de ler esse texto, abra uma cerveja, coloque uma picanha (parece que a partir de janeiro teremos fartura desse corte) para assar e aproveite o sol que está fazendo no Paraná. Agora, aqueles que acham, como eu, um absurdo levar tanto tempo para percorrer os pouco mais de 100 quilômetros que separam Curitiba das praias paranaenses, se acomode e boa leitura.
Nesta segunda-feira (14) faz um mês que fortes chuvas causaram um deslizamento de pedras na altura do Km 42 da BR 277. Desde então, há exatos 30 dias, viajar para as praias tornou-se um longo tormento. A pista sentido Paranaguá permanece interditada no trecho atingido pelas rochas. Nessa região foi feito um desvio pela faixa sentido Curitiba, deixando o trânsito em pista simples e causando longas filas de veículos nos dois sentidos.
Na última sexta-feira (11), início de feriado prolongado, foram registrados 15 km de lentidão. No sábado (12) a situação foi ainda pior, com congestionamentos que superaram 20 km. Para se ter uma ideia, por volta de 11h já havia fila de carros logo após as cancelas do pedágio desativado, levando a mais de 4h de viagem para se chegar a Matinhos, por exemplo. Aliás, vale lembrar que, desde 1998, quando o pedágio foi insituído no Paraná, absurdos como esse não eram registrados. No domingo (13), foram verificados mais de 10km de congestionamentos no sentido Curitiba.
No trecho onde ocorreram os deslizamentos não há mais pedras, nem tampouco operários trabalhando. Dessa forma, fica difícil aos motoristas entender porque aquela área ainda está interditada, causando horas de congestionamentos.
A rodovia, desde o fim dos contratos de pedágio, é responsabilidade do Governo Federal. Cabe ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) a manutenção da estrada e, dessa forma, as intervenções necessárias para manter a trafegabilidade da rodovia. No entanto, quem decidiu pelo desvio e tomou a iniciativa de resolver, pelo menos em parte, o problema foi o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A decisão, porém, de liberar a estrada é prerrogativa do DNIT, que há 30 dias não resolveu o problema e, pasmem, divulgou que só pretende liberar a estrada em dezembro.
A situação para quem retorna a Curitiba não é muito diferente. Longas filas foram registradas na pista sentido Curitiba, também por causa do desvio, e na terça-feira (15) longos congestionamentos e muita demora devem ocorrer para quem vai voltar para a capital.
Quem vai retornar a Curitiba nesta terça-feira (15) pode encarar longas filas e uma demora de mais de cinco horas. Na segunda-feira (14), ainda sem trânsito intenso, o tempo para chegar a capital a partir do Litoral chegou a três horas. Com o fim do feriado, a PRF estima que o fluxo de veículos na rodovia seja bem maior que o registrado na segunda, levando a demora para cinco horas ou mais.
O engenheiro civil, Gean Carlos Dias de Oliveira, é um dos usuários da BR 277 e disse, à reportagem da Rádio CBN, que ainda nesta segunda-feira (14) o trânsito na região estava complicado. “Eu moro em Curitiba e trabalho em Paranaguá, então toda segunda eu desço e aos finais de semana eu subo. A situação está insuportável. Hoje (segunda) eu demorei uma hora para passar ali para poder descer”, disse ele à CBN. “Não vejo previsão de liberação tão fácil. Eles estão parados esperando aquilo se resolver por conta. Não tem uma ação com trabalhadores ali para resolver isso. Simplesmente interditaram, fizeram o desvio e não tem ninguém atuando”, completou o engenheiro.
Em nota, o DNIT informou que “monitora a movimentação das rochas com equipamento topográfico” e que “foram concluídos os estudos necessários para contenção da encosta no local”. Segundo o órgão, a execução deste serviço será realizada por empresas especializadas, que ainda serão contratadas pela Autarquia.
Para piorar ainda mais a situação, a temporada de férias está chegando e o DNIT prevê a liberação da estrada apenas em dezembro, pouco antes dos feriados de Natal e Ano Novo, ou seja, a expectativa é a pior possível pois muitos veranistas começam a se dirigir ao litoral já na metade do mês.
A situação beira o ridículo e cabe perguntar àqueles que criticam os pedágios o que acham dessa situação. Até porque, falamos apenas das longas filas causadas pela morosidade do DNIT em resolver a situação depois dos deslizamentos, mas não falamos do péssimo estado de conservação da estrada, um ano depois do fim do pedágio. Com a palavra o DNIT.



