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A farra bilionária travestida de fundo eleitoral

01/10/2025
fundo eleitoral

O Congresso Nacional aprovou, sem o menor pudor e com a desfaçatez costumeira, o aumento escandaloso do fundo eleitoral para quase R$ 5 bilhões. Sim, quase cinco vezes mais do que o pouco mais de R$ 1 bilhão que estava previsto no orçamento. Trata-se de mais uma das muitas safadezas cometidas por deputados e senadores que não se cansam de fazer o povo de palhaço. Não há limite para o descaramento de uma classe política que não teme a opinião pública e, pior, não tem um pingo de vergonha na cara.

Ao inflar um caixa que serve apenas para sustentar suas próprias campanhas, os parlamentares brasileiros, esses legisladores em causa própria, garantem, com dinheiro do contribuinte, a perpetuação de seus mandatos. É o ciclo viciado da pior forma de política: eles criam mecanismos para se financiar, ampliam privilégios, distribuem a dinheirama entre si e, na eleição do ano que vem, vão assegurar a reeleição do pior Congresso da história do Brasil. A engrenagem é perfeita. Para eles, claro, nunca para o cidadão.

O fundo eleitoral, que já nasceu como uma excrecência da democracia brasileira, é a síntese da perversão institucional: transfere bilhões dos cofres públicos para campanhas políticas que deveriam ser financiadas por partidos e seus filiados. Transformado em privilégio legalizado, serve apenas para engordar a máquina de poder que mantém no Congresso justamente aqueles que mais deveriam ser fiscalizados e questionados.

Vale lembrar que o dinheiro do fundo eleitoral sairá do recurso destinado a políticas públicas como saúde, educação e assistência social.

É desfaçatez pura. Num país em que milhões aguardam atendimento digno na saúde, em que escolas desmoronam, em que faltam moradias populares, em que professores e médicos sobrevivem com salários precários, parlamentares decidiram que a prioridade é turbinar o próprio caixa de campanha.

Os R$ 5 bilhões que vão cair nas contas dos partidos políticos poderiam ser investidos em milhares de casas, em hospitais equipados, em salas de aula modernas. Mas não: no Brasil de hoje, a política sequestrou o orçamento para sustentar a si mesma.

A aprovação dessa farra bilionária é um insulto à inteligência nacional e mais um retrato cruel do abismo entre os políticos e seus eleitores. Um Congresso que, em vez de representar o povo, ri dele. Um Congresso que, em vez de trabalhar para o futuro do país, legisla para o futuro dos próprios mandatos. É a institucionalização da safadeza.

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