ANO IV

05/06/2026

HojePR

marcos traad

A segurança hídrica e as nossas responsabilidades

05/06/2026
água

Há vários artigos técnicos sobre o uso da água na sociedade moderna. Um dos interessantes que encontrei é intitulado: “Segurança hídrica e os seus múltiplos significados” (IPEA, 2022), cuja leitura eu recomendo. O texto busca correlacionar definições diversas para o termo Segurança Hídrica segundo os impactos causados pelo uso da água nas atividades demandadas pelo homem (agricultura, indústria, uso doméstico, produção de energia), além de apresentar dados e indicadores importantes. Foi o meio utilizado para produzir este texto para os leitores do HojePR.

Inicialmente admitamos a célebre frase: Água e vida sempre estarão diretamente associadas!

Água e atividades humanas diversas seguem a mesma lógica, principalmente quando o assunto é o seu uso para produzir o que é demandado pela sociedade. Muitas vezes, o volume de água utilizado, tanto em relação ao custo financeiro quanto ao ambiental, supera o valor do que é produzido e, neste caso, temos um balanço negativo que deve ser compensado.

Como está distribuída a água do planeta terra?

Apesar de ser um bem renovável, a disponibilidade de água doce no planeta terra é restrita. Cerca de 97,5% é água salgada; 2%, água doce de baixa disponibilidade (calotas polares e aquíferos profundos) e, apenas 0,5%, água doce em lagos e rios. No entanto, isso não corresponde à nossa percepção como cidadãos que apenas utilizamos a água para as nossas atividades no dia a dia.

O Brasil ocupa lugar de destaque, tendo a maior reserva hídrica do planeta, situação cobiçada pelo resto do mundo. No entanto, a concentração de até 80% na região norte, se traduz num problema de distribuição mais equitativa, agravado pelo fato de que apenas 8,5% da população do país encontra-se nesta região. A abundância também nos coloca como referência no desperdício do produto. Estimativas indicam a perda de cerca de 40% da água potável no país com as mais variadas causas, entre as quais evidenciam-se: o mau uso na agricultura, as perdas nos sistemas de distribuição, chegando, por exemplo, ao péssimo hábito de lavar a louça e escovar os dentes com as torneiras abertas, até aos banhos sempre intermináveis.

Quais atividades produtivas demandam mais água?

O IPEA (2022), indica que agricultura (inclusive para a dessedentação dos animais) é responsável por 70% da demanda global de água, o que denota a dependência do precioso bem com a nossa segurança alimentar e nutricional. Considerando os incrementos populacionais e as maiores demandas por alimentos, o caminho do aumento da produtividade pode gerar menor impacto no consumo de água. Portanto, é o meio mais sustentável em relação à ampliação das áreas de produção que, além da maior demanda de água, acaba tendo influência drástica sobre o ciclo hidrológico, pela supressão da vegetação nativa, com consequências diretas sobre o aquecimento global e a biodiversidade. É de fato um dilema a ser enfrentado de forma racional e, logicamente, científica. O setor industrial consome globalmente cerca de 22% de água, seguido pelo uso doméstico, com 8%.

Mas: há de fato uma percepção das pessoas sobre a necessidade do uso racional da água?

No âmbito das organizações nacionais e internacionais há uma grande preocupação com a Segurança Hídrica de forma geral. Amplas são as discussões sobre os meios pelos quais devemos reduzir o consumo exacerbado (de água e de produtos em geral) e ampliar as tecnologias para a reciclagem e o reaproveitamento das águas. Evidenciam-se também as constantes recomendações para que sejam ampliados os investimentos em redes de distribuição com menores perdas e maior capilaridade para a população, em saneamento básico (reduzindo-se as contaminações de mananciais e lençóis freáticos) e, consequentemente mais incentivos ao esgotamento sanitário e ao tratamento de efluentes diversos.

Uma boa parte da falta da percepção das pessoas sobre a gravidade do desperdício e da iminência de um colapso no abastecimento de água para as suas múltiplas finalidades está na falta de informação sobre o assunto. É comum vermos a crítica e a revolta das pessoas sobre os governos que utilizam recursos orçamentários para propagandas em veículos diversos. Eu costumo dizer que quem quer divulgar os seus feitos, com caráter informativo, até para que a população saiba do destino dos recursos públicos, tem que pagar. Não há mal algum nisso, ou qualquer proibição legal para tanto. O problema é que as campanhas governamentais verdadeiramente educativas muitas vezes não estão na pauta com a intensidade necessária. Todos estamos cansados de saber que o melhor caminho para que haja maior consciência sobre qualquer tema é a sensibilização das pessoas. Cidadão educado e/ou informado, resulta em sucesso para as necessárias mudanças comportamentais.

Em que pesem as múltiplas definições do termo Segurança Hídrica, o que importa de fato é sabermos que temos que buscar os meios para o máximo de eficácia no uso racional e consciente da água, com a meta de manter o ciclo hidrológico no melhor nível de equilíbrio possível.

Para tanto, ficam algumas perguntas norteadoras para a reflexão de todos:

Qual será o futuro das cidades com seus mananciais cada vez mais tendendo ao esgotamento?

Vamos ter que enfrentar as consequências do uso intensivo das águas subterrâneas?

Quando chegaremos à necessidade da dessalinização da água? Será o caminho?

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