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Com apenas cinco meses e oito jogos disputados no comando da seleção brasileira, Carlo Ancelotti mudou o ambiente da equipe e a percepção dela perante ao mundo. Depois de um período depois de “trevas” com três treinadores diferentes e sem sucesso após a Copa do Mundo de 2022, o técnico italiano trouxe luz novamente ao futebol do Brasil na preparação para o Mundial de 2026. A relação de encanto entre as partes, Ancelotti e a seleção, é recíproca, e a renovação de contrato já é assunto na CBF.
Os dois amistosos agora de novembro, os últimos de 2025, vitória contra Senegal (2 a 0, em Londres) e empate com a Tunísia (1 a 1, em Lille), foram quase a última etapa para o treinador praticamente definir a sua ideia dos convocados para a Copa. A lista de 26 jogadores, claro, ainda não é definitiva, mas pelo menos 20 nomes estão claro na cabeça de Ancelotti.
“Muitos jogadores estão certos na lista. Faltam alguns, mas a lista está bastante completa. Faltam dois amistosos, mas seis meses de jogos onde tudo pode acontecer. O calendário é muito exigente e o risco de lesão é muito alto. Então, acho que a equipe, o ambiente, estão no caminho correto para chegar no mais alto nível na Copa do Mundo. Tenho muita confiança nesta equipe e nesses jogadores, acima de tudo neste ambiente que é bom. Os jogadores são sérios, são profissionais, são patriotas, têm muito carinho pela camiseta e isso é muito importante”, afirmou o técnico da seleção, que completou.
“Faltam seis meses para a Copa do Mundo, muitas coisas podem acontecer. Lesões, baixar a condição física, e a ideia que eu tenho da convocação final é bastante clara. Faltam algumas posições, há disputa entre os jogadores, e a comissão técnica vai observar até o último dia com dúvidas. A qualidade dos jogadores é muito grande. Decidir a escalação final dos 26 é muito difícil”.
Entre as vagas ainda abertas, estão em posições no ataque, no meio-campo e na lateral. Entre essas dúvidas está Neymar, que foi assunto mais uma vez na entrevista coletiva de Ancelotti esta semana. Para disputar o Mundial, o jogador de 33 anos precisa provar em campo que está em boas condições físicas. Se conseguir isso, ele vai ser chamado, já que a comissão técnica considera sua qualidade técnica indiscutível. O camisa 10 do Brasil nas últimas três Copas, no entanto, não teria presença entre os titulares assegurada, e poderia até ser uma opção no banco de reservas para atuar menos tempo.
“Neymar está na lista dos jogadores que podem estar no Mundial. Agora, restam seis meses para a lista final. Nós temos que observar ele e os outros para tentar não cometer erros na lista definitiva”, disse o italiano.
Em oito jogos na seleção brasileira, desde junho, Carlo Ancelotti tem quatro vitórias, dois empates e duas derrotas. Depois da saída de Tite com o fim da Copa no Catar, Ramon Menezes treinou a equipe em três amistosos como interino, depois Fernando Diniz assumiu, trabalhou em apenas seis partidas, e Dorival Júnior ficou por 16 jogos até ser demitido.
Mesmo com pouco tempo de trabalho, Ancelotti já mostrou porque é um dos técnicos mais vitoriosos e respeitados do mundo. Nos bastidores, a diretoria da CBF elogia como o treinador de 66 anos tem o domínio da gestão dos jogadores, além da forma como ele trata a todos. Além da confiança e do bom relacionamento com os atletas com quem trabalhou no Real Madrid (Vinícius Jr., Rodrygo, Éder Militão e Casemiro), a atenção que ele tem dado aos mais jovens também é destacada.
Ancelotti tem papel importante na evolução do atacante Estevão. Com conversas, orientações e também cobranças no momento certo, o técnico italiano vê o desempenho do jogador de 18 anos ser recompensado. Estevão não só conquistou seu lugar no elenco, mas também posição como titular, peça-chave no esquema ofensivo 4-2-4, que hoje está definido para Ancelotti com: Alisson; Éder Militão, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro e Bruno Guimarães; Estevão, Matheus Cunha, Vinícius Júnior e Rodrygo.
O reconhecimento mundial e o status de estrela de Carlo Ancelotti também ajuda a tirar um pouco da pressão de determinados atletas, fazendo com que o coletivo da equipe nacional seja preponderante em relação a destaques individuais. Nas duas últimas vitórias da seleção em amistoso, a goleada sobre a Coreia do Sul, por 5 a 0, e sobre Senegal, por 2 a 0, a mídia internacional voltou a colocar o Brasil como um dos fortes candidatos a brigar pelo título da Copa nos Estados Unidos, México e Canadá.
Fora de campo, Ancelotti também demonstra vontade em colaborar com o desenvolvimento do futebol brasileiro. Entre as pautas estão: calendário de jogos, arbitragem, equipes de base, relacionamento com os clubes e a organização interna.
“Eu posso colaborar com a CBF, que está fazendo algo tentando mudar o calendário e mudar as coisas para melhorar o futebol brasileiro. Estamos falando sobre isso e estou contente de poder ajudar nesta melhoria”, disse o treinador.
Antes da convocação para a Copa do Mundo de 2026, a seleção brasileira ainda vai fazer mais dois amistosos. Os adversários serão a França e a Croácia, em março, nos Estados Unidos. A lista de nomes para a competição será divulgada em maio. O sorteio dos grupos da Copa, quando o Brasil vai conhecer seus três adversários na primeira fase, acontecerá no dia 5 de dezembro.



