A população da zona rural de Castro, e de áreas vizinhas como Tibagi, enfrenta, mais uma vez, dias de escuridão, prejuízos e indignação com a má prestação de serviço da Copel. Há três dias sem energia elétrica, famílias e produtores estão literalmente no escuro, sem acesso a serviços essenciais que dependem do fornecimento de energia. E este não é um problema isolado ou pontual, é recorrente, e já foi tratado pelo HojePR em editoriais anteriores, com relatos de interrupções prolongadas, quedas constantes e reclamações de moradores que se repetem ao longo do tempo.
Na região rural, a falta de luz não é mero desconforto. É crise. As bombas d’água deixam de funcionar, deixando propriedades sem água potável e animais à mercê da escassez. A internet desaparece, isolando comunidades inteiras e impossibilitando comunicação, acesso a informações e até solicitações de ajuda urgente.
A ausência de luz transformou o Natal de várias famílias em um evento marcado pela frustração. A conta, no entanto, continua a chegar, cada vez mais cara, sem desconto, sem compensação e sem respeito por um serviço que deveria ser básico.
O único canal formal de atendimento da Copel, sua agência virtual ou o sistema de registro de ocorrências via internet, é insuficiente, inacessível e, na prática, ineficaz quando mais necessário. Não existe um escritório de atendimento ao consumidor em Castro, onde moradores possam ir pessoalmente e serem atendidos por profissionais capazes de registrar, orientar, esclarecer ou agilizar soluções.
A população só pode reclamar, ou buscar ajuda, via internet. Esse único expediente limita-se a registrar números e protocolos, sem retorno ou acompanhamento efetivo. E isso em uma região onde, sem energia, o acesso à internet diretamente fica comprometido, criando um ciclo perverso de exclusão e impotência para quem tenta apenas resolver um problema que não é causado por eles.
A Copel exige pagamento rigoroso de uma conta que não se reflete em serviço prestado, mas quando a população tenta buscar atendimento, encontra um labirinto burocrático que não responde, não resolve e não respeita os direitos básicos do consumidor rural. Moradores relatam que, mesmo após registrar a falta de energia diversas vezes, não há retorno claro, prazo definido ou solução concreta, e muitas vezes a empresa sequer reconhece ou atende tecnicamente a demanda latente.
Este descaso institucionalizado não pode continuar. Não são apenas quilowatts que estão faltando na rede. Falta respeito, falta responsabilidade e falta compromisso com a qualidade do serviço público privatizado que a população paga para ter.
É imprescindível uma ação enérgica das autoridades locais para cobrar da Copel soluções imediatas, investimentos reais na infraestrutura rural e canais de atendimento que funcionem de verdade, especialmente em situações de crise.
A população rural de Castro não merece viver no escuro, isolada e sem resposta. A pergunta que ecoa em cada propriedade rural, em cada telefone silencioso e em cada família que passou o Natal sem luz é direta: até quando a Copel e as autoridades permitirão que esse descaso continue impune?



