Uma auditoria interna realizada sobre contratos de prestação de serviços contínuos revelou inconsistências na forma como despesas foram divulgadas no Portal da Transparência do Sistema Fiep, especialmente no que se refere a gastos associados a serviços de jardinagem. O trabalho concluiu que valores elevados atribuídos a essa rubrica resultaram de falhas operacionais na classificação das despesas e não de irregularidades contratuais ou de execução.
Nesta terça-feira (11), o deputado Marcelo Rangel denunciou, na Assembleia Legislativa, a existência de um contrato de R$ 53 milhões destinado a serviços de jardinagem e manutenção de áreas verdes na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Para o deputado, o montante destinado à jardinagem ultrapassa o que seria razoável mesmo para um conjunto amplo de unidades.
A análise dos auditores da Fiep foi realizada após questionamentos baseados em dados públicos que indicavam o gasto desses valores, vinculados a contratos firmados com a Top Service Serviços e Sistemas S/A, empresa prestadora de serviços. O objetivo da auditoria foi verificar a adequação da classificação das despesas, a rastreabilidade dos valores, a coerência entre contratos e registros internos e a fidedignidade das informações disponibilizadas ao público.
De acordo com a auditoria, serviços de naturezas distintas, como limpeza, copeiragem e jardinagem, foram agregados sob a mesma rubrica de jardinagem no portal. Essa consolidação teria induzido à interpretação de que a totalidade dos valores, os R$ 53 milhões, se referia exclusivamente aos serviços de jardinagem quando, na realidade, os contratos abrangem um conjunto mais amplo de atividades operacionais.
Os dados analisados mostram que, entre setembro de 2024 e o ano de 2025, os valores consolidados divulgados ultrapassaram dezenas de milhões de reais, o que motivou questionamentos públicos. No entanto, a auditoria identificou que esses montantes incluíam múltiplos serviços prestados nas unidades atendidas, e não apenas jardinagem.
Ao examinar especificamente os contratos voltados ao cuidado de áreas externas, os auditores constataram que se tratam de sete contratos com duração de dois anos, firmados por meio de licitação em lotes. Esses contratos contemplam tanto serviços contínuos quanto atividades sob demanda. O consumo efetivo dos valores, especialmente no primeiro ano de vigência, mostrou-se significativamente inferior ao montante total contratado, refletindo o período parcial de execução e ajustes operacionais previstos.
O relatório também destaca que as inconsistências identificadas dizem respeito exclusivamente à forma de classificação e publicação das informações no portal, incluindo falhas no envio e na atualização de dados. Não foram encontrados, segundo a auditoria, indícios de superfaturamento, irregularidades na formalização dos contratos ou problemas na execução dos serviços.
Como medida corretiva, a auditoria recomendou a revisão do processo de divulgação das despesas, com segregação clara por tipo de serviço, de modo a garantir maior transparência e precisão das informações. Também foi sugerida a adoção de procedimentos padronizados para publicação, atualização e validação de dados relativos a todos os contratos disponibilizados ao público.
A análise conclui que os valores apontados em denúncias não correspondem ao montante efetivamente destinado à jardinagem, mas refletem uma classificação inadequada que reuniu diferentes serviços sob um mesmo rótulo. O aprimoramento dos mecanismos de transparência foi indicado como essencial para evitar interpretações equivocadas e reforçar a confiabilidade das informações divulgadas.



