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CEO da Ford faz alerta: montadoras chinesas podem acabar com as ocidentais

03/11/2025

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Por muito tempo, as montadoras tradicionais do Ocidente pareciam alheias à revolução silenciosa que se desenhava na China. Enquanto novas fabricantes chinesas surgiam e se fortaleciam, muitas companhias estabelecidas agiam como se a disrupção que transformou a indústria de tecnologia jamais atingisse o setor automotivo. Essa complacência, porém, chegou ao fim. Hoje, as gigantes globais reconhecem a profundidade da mudança em curso, e uma das vozes mais enfáticas nesse alerta é a de Jim Farley, CEO da Ford.

Nos últimos meses, Farley tem sido direto ao afirmar que as marcas chinesas conquistaram uma vantagem expressiva na transição para os modelos elétricos. Ele mesmo passou um período dirigindo diariamente um Xiaomi SU7, não por curiosidade, mas por verdadeira admiração pela tecnologia e pelo produto. Para ele, o avanço chinês representa um desafio até maior do que o enfrentado pela indústria americana diante da ascensão japonesa nos anos 1980.

“É o mesmo fenômeno, mas em escala muito mais ampla”, disse Farley ao Business Insider. “A China já possui capacidade industrial suficiente para abastecer todo o mercado norte-americano e nos tirar do jogo. O Japão, naquela época, nunca teve isso. O risco agora é de outro nível.”

Revolução automotiva chinesa é muito maior que a imposta pelo Japão nos anos 80

Na década de 1980, o Japão produzia mais de 11 milhões de veículos anualmente, o que levou o governo Reagan a impor limites às exportações japonesas. A situação atual é diferente, mas o desconforto das montadoras ocidentais soa familiar.

Por enquanto, os veículos elétricos chineses não podem ser vendidos nos Estados Unidos, dando às marcas locais uma proteção temporária. Porém, para uma empresa global como a Ford, essa barreira geográfica não é suficiente. “Os chineses têm uma tecnologia automotiva muito mais avançada. Huawei e Xiaomi estão em praticamente todos os veículos. Quando você entra, o carro reconhece automaticamente seu perfil e integra toda a sua vida digital, sem necessidade de pareamento”, destacou Farley.

Segundo ele, a disputa vai muito além dos veículos elétricos: “Estamos em uma competição global com a China. Se perdermos essa batalha, a Ford não terá futuro. Os chineses são hoje o verdadeiro colosso do setor, dominando completamente o mercado global e expandindo cada vez mais além de suas fronteiras.”

Nos Estados Unidos, medidas da era Trump como a exclusão de incentivos fiscais de até US$ 7.500 (cerca de R$ 42 mil, na cotação atual) para elétricos frearam temporariamente o crescimento da demanda. Ainda assim, Farley vê essa retração como passageira. Ele prevê que os elétricos representarão cerca de 5% do mercado americano no curto prazo, mas acredita que a participação aumentará conforme os preços caiam e o público se acostume às novas tecnologias.

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