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23/06/2026

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A NOSSA OPINIÃO

Chega de sustentar o apetite voraz das autoescolas no Brasil

02/12/2025
autoescola

A decisão do Contran de extinguir a obrigatoriedade de aulas em autoescolas para obtenção da CNH não apenas expôs um problema antigo, ela desmontou, sem rodeios, um dos monopólios privados mais confortáveis do Brasil. Durante anos, as autoescolas transformaram um serviço que deveria ser formativo em uma máquina de arrecadação garantida por lei. E fizeram isso sob o manto da “segurança no trânsito”, um discurso repetido à exaustão sempre que seus interesses eram minimamente ameaçados.

A reação do setor, um dia depois do anúncio, foi reveladora: mobilização imediata no STF e pressão explícita sobre o Congresso. O apetite voraz das autoescolas não é capaz de fazer uma reflexão pública sobre preços abusivos, transparência nula ou qualidade desigual dos serviços oferecidos no país. Não houve debate honesto sobre alternativas, inovação ou liberdade de escolha do cidadão. Houve apenas o pânico de quem vê a mina de ouro perder proteção estatal.

Os valores cobrados falam por si. Em Curitiba, pacotes de R$ 2.500 a R$ 3.000. Em cidades pequenas, R$ 2.000 a R$ 2.800. Em capitais como São Paulo e Rio, acima de R$ 3.500. Durante anos, os brasileiros engoliram esses preços porque a lei os obrigava a engolir. E esse é o ponto central: não se tratava de preferência do consumidor, mas de coerção legal a favor de um setor específico.

Agora, quando o Estado finalmente decide devolver ao cidadão o direito de aprender de outras formas – seja com instrutor particular, com familiar habilitado ou em modalidades alternativas – o lobby reage como quem defende um território perdido, não um serviço indispensável.

Se as autoescolas são tão essenciais quanto afirmam, por que temem tanto competir? Por que precisam que o Estado obrigue o cidadão a contratá-las? Por que um modelo realmente eficiente não se sustenta em liberdade?

A resposta é incômoda, para elas. O Brasil não está acabando com as autoescolas. Está apenas derrubando o pedestal artificial que sustentava um negócio blindado e garantido por anos. O cidadão brasileiro, não as autoescolas, é quem ganha com essa mudança.

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