O tabuleiro político do Paraná começa a se redesenhar com nitidez e mostra que o projeto de candidatura ao governo do Paraná do senador Sergio Moro subiu no telhado. O motivo é: a consolidação do nome da ex-governadora Cida Borghetti como candidata do Progressistas e o racha interno na federação que deveria unir o PP e o União Brasil.
Cida, primeira mulher a governar o estado, surge novamente com vigor político. Sua pré-candidatura foi oficializada e conta com o apoio declarado do presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, que já avisou: não abre mão da candidatura da ex-governadora.
A mensagem do presidente nacional do partido confirma que o PP quer protagonismo no Paraná e não pretende ceder espaço a Sergio Moro dentro da federação. Na prática, isso significa que o projeto do ex-juiz começa a desmoronar antes mesmo de sair do papel.
O racha entre PP e União Brasil é hoje incontornável. De um lado, Moro tenta se apresentar como alternativa natural de continuidade ao governo Ratinho Junior, buscando o apoio da estrutura da federação. Do outro, o grupo liderado por Ricardo Barros aposta em Cida Borghetti como nome competitivo, com base sólida no interior e trânsito em Brasília. O PP paranaense quer uma candidatura própria e o endosso de Ciro Nogueira torna essa decisão praticamente irreversível.
A debandada de 18 prefeitos ligou o sinal de alerta no PP. A saída deles do partido, motivada pela insatisfação de ter Moro como cabeça de chapa da federação PP-União, não agradou a direção do partido. O movimento confirmando a candidatura de Cida, e não a de Moro, deve conter o desejo de outros prefeitos de deixar o PP.
As razões do colapso do projeto de Moro vão além da disputa de egos. Há, sobretudo, uma questão de comando político: a federação foi desenhada em Brasília, mas sua operação esbarra nos interesses regionais. No Paraná, o PP é dono de uma máquina partidária eficiente e de presença municipal capilarizada, enquanto o União Brasil, com Moro na presidência, ainda enfrenta dificuldades para construir alianças locais.
O movimento pró-Cida também reflete uma leitura pragmática do cenário eleitoral. Enquanto Moro sofre com altos índices de rejeição e um eleitorado que o vê mais como figura nacional do que estadual, Cida apresenta-se como uma opção de governabilidade, com perfil técnico e discurso voltado à continuidade de políticas públicas.
Na prática, o projeto de Sergio Moro perde sustentação. Sem o respaldo pleno da federação e sem estrutura robusta nos municípios, o senador corre o risco de se tornar uma candidatura isolada.
O cenário paranaense se redefine, portanto, com a ascensão de Cida Borghetti e a consolidação de um PP fortalecido e autônomo. Enquanto isso, o projeto de Sergio Moro dá sinais claros de esgotamento. A candidatura de Cida se impõe não apenas como alternativa, mas como símbolo do rompimento dessa aliança que já nasceu fragmentada.
Nos bastidores, comenta-se que, para manter vivo seu projeto de disputar o governo do Paraná, Sergio Moro pode novamente trocar de partido. O senador já teria ouvido conselhos de aliados para buscar uma legenda onde tenha mais liberdade para negociar alianças regionais, sem as amarras e divisões internas do União Brasil. A movimentação ainda é tratada com cautela, mas nos corredores políticos de Curitiba e Brasília cresce a convicção de que Moro cogita mais uma mudança, e que isso seria apenas questão de tempo.
Essa hipótese ganha força porque fidelidade partidária nunca foi o ponto forte de Sergio Moro. Desde que ingressou na política, em 2021, o ex-juiz já passou por três siglas: Podemos, Republicanos (onde ficou por poucos dias antes de recuar) e União Brasil, onde acabou eleito senador em 2022.
Em menos de quatro anos de carreira política, portanto, acumulou idas e vindas que reforçam a imagem de um político sem base partidária consolidada. Caso confirme mais uma troca, Moro consolidará não apenas um novo destino, mas também a percepção de que sua trajetória política é marcada por deslocamentos e não por raízes.



