A conexão entre a pele e o cérebro é mais profunda do que imaginamos. O estresse psicológico desencadeia a liberação de hormônios e respostas inflamatórias que podem impactar diretamente a saúde da pele. Qualquer ameaça à harmonia física, emocional ou mental pode ser considerada um fator de estresse, levando tanto a adaptações positivas quanto negativas no organismo.
Diversas doenças dermatológicas, como psoríase, dermatite atópica, vitiligo e dermatite seborreica, podem ser agravadas pelo estresse. Durante momentos de grande estresse, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal é ativado, provocando uma cascata de reações que estimulam a síntese e liberação de cortisol. Esse hormônio, embora essencial para a regulação do organismo, pode gerar impactos negativos quando em excesso. Na pele, por exemplo, ele suprime a proliferação de fibroblastos e queratinócitos, prejudicando a cicatrização e comprometendo a barreira cutânea.
Além disso, o sistema nervoso autônomo simpático é estimulado pelo estresse, levando à liberação de mediadores inflamatórios. Esses mediadores não apenas intensificam a inflamação, mas também aumentam a perda de água transdérmica, tornando a pele mais suscetível a irritantes externos. Estudos indicam que altos níveis de cortisol podem afetar até mesmo a pigmentação da pele, prejudicando condições como o vitiligo.
Diante dessa relação direta entre estresse e saúde da pele, é fundamental adotar estratégias para minimizar esses impactos. A alimentação e a fitoterapia surgem como ferramentas valiosas nesse processo. Consumir alimentos ricos em antioxidantes, como frutas vermelhas, vegetais verdes-escuros e oleaginosas, auxiliam no combate ao estresse oxidativo, reduzindo a inflamação. O magnésio, presente em sementes, castanhas e vegetais verdes, é um nutriente essencial para o equilíbrio do sistema nervoso, ajudando a reduzir a tensão e melhorar a qualidade do sono.
Na fitoterapia, algumas plantas são reconhecidas por seus efeitos adaptógenos, ou seja, ajudam o organismo a lidar melhor com o estresse. A ashwagandha (Withania somnifera), por exemplo, tem propriedades que auxiliam na regulação do cortisol, enquanto a camomila (Matricaria chamomila), a melissa (Melissa officinalis) e as folhas do maracujá (Passiflora incarnata) possuem efeitos calmantes que contribuem para a diminuição da ansiedade. Podem ser utilizadas em extrato seco, tintura ou como infusão.
Além da alimentação e do uso de plantas medicinais, é essencial adotar práticas que reduzam os níveis de estresse no dia a dia. Exercícios físicos, técnicas de respiração, meditação e uma rotina de sono adequada são fundamentais para manter o equilíbrio emocional e, consequentemente, a saúde da pele.
Assim, ao lidar com doenças de pele, é essencial estar atento aos possíveis sinais e sintomas associados ao estresse. A pele deve ser tratada de forma integrativa, além dos cuidados com produtos tópicos e se necessário com medicações, a parte emocional é fundamental para um tratamento completo. Pessoas que enfrentam períodos prolongados de estresse devem buscar estratégias naturais para minimizar seus impactos, garantindo não apenas a saúde da pele, mas o bem-estar como um todo.
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