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19/07/2024

glenn stenger futebol

Quem mais investe em categoria de base no Brasil?

Uma das premissas básicas para se ter receita com futebol é a de que uma categoria de base forte, com profissionais competentes nas diversas áreas (técnica, preparação física, amparo às famílias, preparação psicológica dos meninos), resultará na formação de alguns atletas de destaque que, por sua vez, monetizarão o clube formador.

Como os orçamentos das equipes variam ano a ano, para essa nossa conversa de hoje, fiz um apanhado dos últimos 5 para que tenhamos noção mais clara e precisa de quanto se investe nesse processo.

Na semana passada, o material apresentado mostrava que não há milagre. Quem mais investe, quem mais tem receita alocada, tem melhores resultados em campo. Será que, se levarmos essa mesma discussão para o quesito “categorias de base”, o resultado também será parecido?

Vamos aos números de 18 grandes equipes do Brasil e seus investimentos totais no último quinquênio (em milhões de reais).

  • Flamengo: 171
  • Grêmio: 144
  • São Paulo: 144
  • Palmeiras: 142
  • Internacional: 114
  • Fluminense: 92
  • Atlético MG: 84
  • Vasco: 62
  • Athletico: 57
  • Cruzeiro: 56
  • Santos: 55
  • Bahia: 47
  • Corinthians: 42
  • América MG: 21
  • Goiás: 19
  • Coritiba: 18
  • Botafogo: 17
  • Fortaleza: 17

Se fizermos o exercício de somarmos o investimento total (expresso nos balanços financeiros) desses 18 grandes clubes Brasileiros, teremos algo em torno de 1,3 bilhão no período, ou 260 milhões por ano (na média). Torna-se até desnecessário dizer (comparar) que a venda de apenas um jogador para uma grande equipe do futebol europeu já cobriria todos os gastos anuais de todas essas equipes com o processo de formação.

E aí muitos se perguntam o motivo de não se investir mais para que se tenha ainda mais retorno. Parece óbvio, mas não é. O processo não é “cartesiano”. Nenhuma equipe consegue ter a certeza plena de que apenas com seus moleques formados em casa conseguirá ter o sucesso necessário nos torneios que disputará. Nenhuma equipe consegue ter a certeza de que formará ao menos um atleta por posição com o nível necessário para disputar esses mesmos torneios. Uma “safra de atletas” pode render vários atacantes, poucos zagueiros, nenhum lateral e nenhum goleiro, por exemplo. Essa mesma “safra” pode até não render nenhum atleta que interesse ao mercado estrangeiro. O processo de formação é incerto. Tem-se que ter muita quantidade e ir aplicando filtros para que se possa pinçar um ou outro atleta que será aproveitado nas categorias principais. Os investimentos em base devem sim ser mais “parrudos” ano após ano. Essa é uma tendência e uma necessidade. Mas só formar “em casa” não dá para nenhuma equipe a sustentação necessária para disputar suas competições.

Voltando ao tema principal dessa nossa conversa, novamente temos a relação proporcional entre investimento e retorno financeiro. Os 11 clubes que mais investiram, no período que analisamos, tiveram mais de 90% de toda a receita obtida com a venda de atletas brasileiros para o exterior.

Apesar das incertezas quanto ao valor efetivo do retorno e quanto ao prazo desse retorno, os números não mentem. Quem pode mais, forma mais e ganha mais com esse processo.

Leia outras colunas do Glenn Stenger aqui.

 

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