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20/06/2026

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Expectativas de Inflação: e seu impacto nos juros

22/10/2025
inflação

Muitas pessoas confundem duas variáveis relevantes na economia: inflação observada e expectativa da inflação. Elas podem ser iguais ou muito semelhantes, mas são variáveis diferentes em sua essência. A inflação observada, em geral, é aquela que foi registrada por exemplo nos últimos 12 meses. Na economia brasileira, a inflação de outubro de 2024 a setembro de 2025, acumulada em 12 meses (ou anualizada) foi de 5,17%. Ela nos indica como a dinâmica dos preços está no dia de hoje, que pode influenciar muito ou pouco a inflação futura.

Por sua vez, a expectativa de inflação é o valor esperado do mercado para os próximos meses ou ano. Segundo as teorias de inflação, quando os agentes projetam uma inflação futura para cima, há mais pressão para alta dos preços, alimentando o processo inflacionário atual, via indexação de preços e contratos. Esse processo gera uma espiral de preços, dificultando o equilíbrio macroeconômico e o combate à inflação. Neste sentido, o Banco Central do Brasil (BCB), desde junho de 1999, vem adotando o Regime de Metas para a Inflação, com o objetivo de ancorar as expectativas de inflação no nível da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Quando o BCB consegue ancorar as expectativas, o combate ao processo inflacionário atual fica mais fácil e precisamos aumentar menos a taxa de juros Selic.

Por exemplo: uma economia pode registrar uma inflação anual elevada, devido a um choque temporário nos preços, mas sua expectativa de inflação permanecer baixa e ancorada com a meta. Assim, o Banco Central precisará de pouco esforço monetário de aumento de juros para controlar a dinâmica dos preços. É uma inflação mais benigna.

Com o objetivo de entender o processo inflacionário e realizar um diagnóstico mais preciso, o Departamento de Pesquisa do BCB coleta semanalmente as expectativas de inflação e divulga-o toda segunda-feira no Relatório Focus. Ver o site.

Assim a Autoridade Monetária consegue monitorar de perto essa variável.

Para setembro de 2026, o mercado espera um IPCA de 4,47% e para dezembro um valor de 4,27%. Ou seja, expectativas em queda, mas ainda acima da meta de inflação de 3,0% ao ano. E isso é um problema, pois temos uma inflação observada contaminando ainda as expectativas de inflação.

É nesse cenário que o BCB deve manter a taxa de juros Selic em 15,00% até início do próximo ano e reduzir de forma gradual a taxa Selic, de olho sempre na expectativa de inflação.

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